quarta-feira, 25 de março de 2009

Aprendeste...

Gostava de saber se fui um bom professor ou conselheiro, mas, quem sou eu para ensinar ou dar conselhos.

Apesar de tudo disse-te que deves sempre dar palavras boas... porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir. Que quando te importas com rancores e amarguras a felicidade vai para outra parte, e as oportunidades nunca se perdem pois, aquelas que desperdiçadas... alguém as aproveita...
Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto...

E o que aprendeste afinal?

Será que aprendeste que ninguém é perfeito enquanto não te apaixonas... que a vida é dura mas tu és mais que ela!! Apesar de não poderes exigir o amor de ninguém...

Será que percebeste que não podes escolher como te sentes... mas podes sempre fazer alguma coisa... podes apenas dar boas razões para que gostem de ti e ter paciência, para que a vida faça o resto...

Terás tu aprendido que certas pessoas vão embora da tua vida de qualquer maneira, mesmo que desejes retê-las para sempre... porque todos querem viver no cimo da montanha... mas toda a felicidade está durante a subida... em que tens que gozar da viagem e não apenas pensar na chegada...

Aprendeste ou não... que não importa o quão certas as coisas sejam importantes para ti, existe alguém que não dá a mínima importância e jamais conseguirás convencê-las. Que vai demorar muito para te transformares na pessoa que queres ser, e deves ter paciência.


Que há muita gente que gosta de ti, mas não consegue expressar isso. Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que achavas que iria tentar piorar as coisas...

Mas, aprendeste que podes ir além dos limites que colocaste. Um sorriso é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, porque precisas me perdoar primeiro. Aprendeste que, não importa quanto o teu coração sofre, pois o mundo não vai parar por causa disso.

Saberás que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério?

Aprendeste que uma existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que nunca viste antes. Que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Fico satisfeito por finalmente saber. Aprendeste, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e sabes lutar pelas coisas em que acreditas...

quinta-feira, 19 de março de 2009

O álbum de recordações

Olhar no passado... cansado de ver o presente, uma realidade demente de si só, de ser quem é, quem quer ser...
Cansei-me do presente, doente de mim, doente de recordações, doente de mentiras, de enganos e conquistas sem fruto. Cansei-me de ser eu, de quem sou, de como sou, como quero ser, como não sou capaz de ser... nem sei se serei mesmo eu...

Abri o álbum de recordações, aquelas sensações guardadas em pequenas fotografias esquecidas, no canto da prateleira empoeirada, sem sinal de movimento ou utilização, como se quisessem passar despercebidas, esconder-se de quem as quisesse ver...



Estava ali, como todos os outros dias. Mas hoje, não sei... mostrou-se diferente, como se tivesse algo novo. Mesmo assim reparei nele, reparei nele... tão só separado dos outros como se aquele fosse o seu mundo, talvez apenas um segundo, ou dois...

Essa característica é comum em todas as pessoas, curiosidade. Vivemos a tentar prever o que poderá vir depois, ou não virá. Foi então que... lhe peguei como o maior cuidado, iria desfazer-se, coisa mais delicada, pensei eu...

Era velho, muito velho... tão frágil e tão poderoso... O seu aspecto frágil esconde o seu poder, de trazer á tona o passado, nada mais o conseguiu até então...

Um leve sopro que solta o pó da sua superfície cinza... capa espessa, fazia-me lembrar outro álbum que eu próprio fiz... a semelhança era imensa, os contornos torneados, as abas semi-concavas...

Abri a capa, logo no inicio... Mania de começar pelo inicio. Quem não tem curiosidade de saber o que acontece no fim? Como vai terminar?

Apesar de fechado estava sujo, de um fina camada de pó, espessa o suficiente para impedir que vislumbrassem o seu conteúdo. Peguei num farrapo e limpei completamente aquela superfície... afinal era o meu álbum, um álbum que escondi de mim com medo de enfrentar o passado, as memórias que fingi esquecer...


Um álbum começado do inicio, um inicio … todos querem um inicio … será possível, mas qualquer um consegue dar um inicio … sim … existem requisitos para começar … é preciso ter coragem … determinação … iniciativa … uma boa ideia do que se quer …
E um fim … será que qualquer um consegue dar um fim?

Mas não tive coragem de lhe dar um fim... ficou inacabado, como tantos outros projectos que nunca quis enfrentar, com receio do passado, ou do futuro. Era tudo feito do mesmo material, o mesmo de que são feitos os sonhos em que não era obrigado a vencer mas a ter o dever de ser verdadeiro …

Mas que significava tudo aquilo, sem sentido, sem motivo, sem traços gerais para seguir um pequeno caminho que fosse... mas tudo se resume a factos...
Factos da vida, factos que atravessamos, factos que enfrentamos, factos que não queremos saber ou factos que nos perturbam e deixam sem dormir... E talvez fosse isso, talvez posse tudo junto, todos estes factos num só, um turbilhão de confusão a mais que remontam a tempos passados, mais sossegados em que nada se passava, em que tudo e nada eram um só...

Em muitos momentos, ponderamos um final dos factos e acontecimentos involuntariamente … isso quando o destino não decide colaborar e o fim acaba por ser o início por conta própria … É mentira afirmar que se inicia pelo fim … porque o inicio é por onde se começa, independentemente da ponta da corda que se queira puxar...


Mas há algo realmente muito importante nesse pensamento. Existe, nisso toda uma esperança, um optimismo, um apoio pelo bem sucedido, seja lá o que ele for. E, se o fim é a felicidade, por que não começar por ele?

sábado, 14 de março de 2009

Quem és tu?

Quem és tu rapariga dos meus sonhos... nesse jardim verde... corres nos trilhos dos malmequeres... quem és? Gostava de saber... quero conhecer-te,
Falaste de mim numa voz tão suave, melodiosa, tão inocente... e chamaste-me à razão, pediste a atenção, que é toda tua... e conversámos... dos meus medos e dos teus sonhos... tão calmamente... como se o hoje não acabasse e o amanhã estivesse de férias...




O meu mal é gostar tanto da tua maneira de ser, como se nada fosse sem uma justificação...
Não soube entender o que serias para mim... não soube, ou não quis ver... e agora sofro assim, porque os dias passam a doer, porque sofro a ausência, porque sem ti não quero viver, por seres quem és, como és.

Então subitamente segredas que o dia espera por mim, e vais... sem destino ou direcção, desvaneces, e acordo... para um novo dia inquietante... desejoso por saber quem és. Quem és tu afinal?
Achas que me sinto bem assim? Achas que sou feliz? Ouvir a tua voz e não te poder tocar, é um castigo colossal... tudo isto faz-me sofrer, esta incerteza...

Quando penso em ti parece que o mundo pára e as pessoas congelam, porque vozes se calam num mundo que ganha uma nova cor...




Foges de quem és, porque escondes o teu nome, quem és. Sinto-me bem contigo, mas não sei quem és, onde estás ou como te encontrar... apenas... apareces às escondidas nos sonhos e vens acalmar os pesadelos...

Planeio perceber-te... quando dizes uma coisa, em que pensas outra.
Tanto aparentas gostar de mim, como por fim arrumas os sentimentos mostrados...
Continuas a fugir às perguntas, sorrateiramente mudas, finges não ouvir, alteras o momento...

Mas sou curioso, e anseio que o dia passe e a noite regresse...
E se hoje estou aqui é para te dizer o que eu sinto dona do meu ser... sim... tu...

O tempo passa, mas... o que é o tempo? O que faz ele de nós?! Será o responsável por cada momento que não podemos voltar... ele divide-nos... separa-nos. O tempo passa, sem nunca parar...



Vou fechar os olhos, à espera que a noite te traga de novo... quero ver-te... estar contigo... quem sabe, desta vez me digas o teu nome... quem realmente és... rapariga dos meus sonhos... mesmo que não sejas real...

quinta-feira, 5 de março de 2009

A caneta que não quer escrever

A caneta azul... lacrimeja pela nona hora...
Mais um dia... um longo dia, excessivo, intenso que passou sem dar por nada, na estrada da vida que espreita em cada esquina trocando as gravuras do caderno...

Não vai rabiscar mais palavras bonitas que não saem... sensibilidade ou a opinião de que vou enlouquecer...


Não vou escrever mais, hoje vi que tudo afastou o sentido. Porém olho para ti e nada do que sinto... posso escrever... está perdido, pois o meu olhar gelou quando encontrou o teu, quando o mundo não parou... e a tinta secou num tempo húmido de inverno em que folhas secaram com o calor da lareira entrelaçada na lenha...

A caneta já não escreve no momento que o poema aperta...

Cães a ladrar, espantam a noite que aperta contra o poema... e a caneta não escreve na noite onde cães ladram... a caneta que não escreve o poema que aperta, que me aperta... contra a solidão e o momento...
E a caneta que não escreve e os cães ladram para espantar a noite para espantar a caneta que mesmo assim não escreve...

Vi que perdi... e não vou escrever mais... não, não quero mais as palavras, já não têm sentido no tempo que ficou perdido, em que nem o sol serve de abrigo porque já não estou contigo...
Os meus fantasmas? Não são para aqui chamados.
Ela não queria escrever, e eu queria que ela escrevesse.



Hoje não vou escrever nada, a minha memória está desabitada e o coração expressa para eu fique calado porque os olhos não levam a lugar nenhum...

O acaso revoluteia à minha presença em forma de anjo, nem do que me lembro mais ou menos... Vou subir pelas escadas, contar os degraus, ocupar a mente, não lembrar de tudo... não lembrar de nada...

Mesmo assim não vou escrever nada, porque o coração está desguarnecido e a mente calada...Acredito no acaso e em casos ocasionais dos amantes, ou flores rasgadas...
Nem sei por que é que isto acontece, mas... agora, pensando bem, os dias são repetições de lições que vemos e não aprendemos e mesmo assim, ensinamos aos outros...
Agora bem no fim deste texto... só agora percebi que ao escrever negamos o contrário dos factos verídicos. O que trazemos por dentro é... às vezes irreal ao que mostramos no rosto...



Não vou rabiscar mais... vou rasgar a folha vazia... vou pôr tudo numa arca, forrada com a brisa do mar... vou colocar aquela marca, aquela que insistiu em ficar...
Não vou escrever mais...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Palavras que choram

E... no silêncio de um olhar, quando os suspiros imploram para se afogar na mágoa... há palavras que cegam sentimentos que residem no coração, nos ingénuos corações quando lágrimas caem e paixões se afundam em penosas frustrações...


Palavras que escrevo... palavras que dito...
Caem palavras, a cada toque, a cada momento, a cada sentimento perdido... serão palavras... ou gotas de orvalho na manhã sublime que se espera encontrar...

Não... a gota de orvalho não cai... pousa suavemente de uma forma... tão delicada, tão pura... tão intocável... e abala com o raiar da luz do dia...

Serão lágrimas... gotas salgadas de olhos tristes, ou não... escondem sentimentos, momentos, perdidos e esquecidos... superficialmente... vontade de... nem sei...


É dor... são sentimentos... e caem do coração, são lágrimas, o fim de um furacão e o começar da bonança, quando as almas se agitam com brilho da sorte com a ternura da verdade... promessas que falam...
É o sossego que invade o ser quando devia gritar os desgostos que enfraquecem, é o vazio que se sente no peito e a paz que alivia a alma que escorre pelo rosto... são palavras que se calam...

Não, não são lágrimas verdadeiras... molhadas com mágoa ou felicidade... exprimem muito mais... e verbalizam exactamente o que querem, o que sentem sem rodeios, sem receios de timidez ou escassez de sombra de dúvida... são lágrimas, sem duvida lágrimas de palavras... vocábulos que já perderam sentido há muito... ou não... talvez não, possivelmente o sentido sente-se perfeito, cuidadosamente expresso, o momento guardado, o toque sentido... cada palavra, uma lágrima, uma mágica e brilhante lágrima capaz de trazer o passado, os melhores momentos, os melhores sentimentos, o toque especial... mas... tudo desvanece... tal como as lágrimas evaporam...


O eco da solidão dos sentimentos que caíram em palavras que suspiram e fazem algum mal...

E o gotejar na espera ilusória que a lágrima dure, permanece muito mais, um tempo infinito... no entanto... não passa de uma espera, desespero de uma ilusão, um ciclo vicioso na ambição de mais... muito mais do que estas lágrimas de palavras podem trazer... e o passado não volta, não se pode mudar... por muito que lágrimas caiam...

Caem lágrimas de palavras que fazem sentir bem, um aconchego das memórias traz calor e protecção, enquanto na realidade é um gelo, a céu aberto, só...
São palavras que se esquivam e preferem morrer em mudas desilusões apesar das mais absurdas... são palavras que choram lágrimas que ecoam nas avenidas da saudade quando a verdade se declara e que magoam afectos que moram que não saem que morrem mesmo antes de nascer e outras que amparam quem perdeu a razão de viver...



Gotejar... as lágrimas ofuscam o que passa, o que deixam passar diante dos olhos... oportunidades fantásticas que poderão jamais voltar... apenas mais algumas palavras para juntar às tantas que conseguiram encher um mar... palavras que têm poder suficiente para elaborar um texto... comum... como por exemplo este...



São palavras que caem... são palavras que choram...
Posso não impedir que a lágrima caia... mas vou estar lá para amparar a sua queda...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TENHO TANTO QUE DIZER...

Não sei onde romper... mas com pequenas palavras muito se diz... e é de baixo que se começa a subir...
Num passado, não muito distante, foi assim... o bastante... pequenas palavras exprimiam grandes sentimentos, guardados num pequeno caderno amarelo multicolor... alheio aos outros... foram palavras, pequenos versos soavam a letras de músicas da rádio...



Tinha tanto para falar, tanto para explicar... mas... não quis, tive medo, sempre vivi mo medo, do que podias pensar ou dizer, com reagir... ah como queria voltar atrás e arriscar tudo por tudo... seria diferentes, deixaria de ter medo, e saberia como é quando me odeias, quando sofro, quando estás perto... daquela maneira que só tu sabes... pelo menos seria feliz por que teria conhecido, daquela maneira que só eu gostaria de conhecer...

Decidi escrever-te... mas a caneta recusava-se a escrever, quando te sentia mais longe apesar de estares sentada a meu lado... quando vidas se cruzaram, e as nossas estrelas do espaço, sabem onde é eterno... neste amor tão apetecível, desde instante que te revi... porém, sinto-me livre... tristemente livre...

Não terá sido opção ou capricho... simplesmente do que trago no coração, foi grande... não sei bem o que fazer nesta vida complexa...

Vejo-te passar, e um sentimento sincero, por saber que não posso estar contigo... emerge...
Não posso estar sem ti, talvez possa apenas ser amigo...
Amo-te com toda a minha alma, e depende apenas de ti... e de mim... aquela decisão que é algo mais que eu, algo mais eu queria, espero... algo mais... como temo...
Observo a carência do teu perfume, do teu olhar dos teus abraços, teus lábios a abordarem os meus, a tua presença, algo dentro de mim... sinto falta de ti.

Se te aproximares de mim e exprimires que me amas eu não saberei o que te falar...
Mas... se chegares até mim, e proferires que me odeias... poderei não saber o que te dizer... mas as acções... que fazer... talvez saiba...ou talvez nada faça... porque contrário do Amor não é o ódio, mas sim a indiferença...

Posso ser um anjo amigo, um anjo da guarda que te salva dos incertezas, e que ao mesmo tempo me ama...
Se me auxiliares, sorrires para mim... sorrirei também... serei capaz de te ajudar, sem te deixar... se me deixares... porque o meu amor é imenso e não te abandonarei!


Ah como está triste este dia... Frio, vento, e ma solidão me aqueço, sozinho, nesta imensidão do vazio... repleto de pessoas... este rascunho, imagem é real... já vivida... que espero nunca mais voltar a desenhar...
Percorro os meus sonhos, lentamente, o meu mundo ideal, Onde vivi, temporariamente quando a tua ausência foi total...

Foi uma ausência dolorosa, como todas são... mas és dona do meu sentimento... em que sei que a distância traz a saudade e nunca o esquecimento... mas cala, por breves instantes, este tormento...

Porém eu tenho que esperar... é muito tempo sem te ver, mesmo naqueles que não estão à espera... logo na altura que agora impera... em que o amor acaba por vencer muito mais que qualquer um...


Quando, e se a minha hora chegar... se deixares, saberás o que significa realmente a palavra Amar...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Vives na ilusão

Não há filosofia que contenha alma que comanda o amor, e ... assim, é o viver na ilusão...
Como não há filosofia que explique de forma definitiva o amor... ninguém se importa, nem para as dificuldades, nem para as adversidades... para a vida ou para tudo o resto... Mas, às vezes, falha e leva-nos ao engano que produz saudade, desilusão e dor...
Se por acaso quis a minha sina neste mundo que versos escrevesse... é culpa dela, não minha! Não fui eu que quis... por isso não escrevo...apenas faço o que acho certo, que me faz sentir bem...

Passamos por momentos de felicidade plena nesta misteriosa, inexplorada, vida... Momentos estes que nos marcam de uma forma surpreendente ... nos transformam, nos comovem, nos ensinam e muitas vezes, nos magoam profundamente...
Há a individualidade, cada um tem a sua personalidade, o seu subjectivismo, as suas dúvidas... que, às vezes, impedem fluir a verdade... assim, é a vida com a sua imperfeição, assim, é o viver na ilusão...

Como eu queria ser vulgar... Rir sem vontade...sem me importar do que pensam...lançar no ar mil melodias que percorrem os ouvidos e os sítios mais recônditos do pensamento... e brincar com a poesia... fazer troça do amor... Ah, que feliz eu seria!

Mas em vez disso tudo, imagino... uma viagem que quero fazer... e que tal uma viagem sem fim? Sim, uma viagem para fora de mim... para conhecer outros lugares, outras paragens... ver para além daqui, do meu habito inútil.

Estás a imaginar?? Então continua… porque vivo na ilusão do olhar... de contar um dia as aventuras do outro lado do mar... onde nunca tive coragem de ir...
Quero voar, ter asas, ter lugar... Vivo na ilusão de um sonho ou ainda de uma miragem... quero valorizar o ser e a vida, só eles nos dão a possibilidade da possibilidade... ainda que improvável... de um sonho... a verdade por trás de um olhar, a leveza de uma vida, pousar a magnitude da sabedoria... e... ninguém quer ver...

Conto as conchas do mar e sussurro o ruído que fazes ao caminhar... Contas histórias de encantar... poeta das ideias e contas mais ainda de ti... do sabor da pele a sal... devaneios e loucuras, contas os dias que passam e as horas que não passam...
Contas também… contas-me ao ouvido o teu espelho e as coisas perigosas do mar...

Observo a vida e começo a recordar todas as pessoas que já passaram por aqui, e o que cada uma deixou... ou estarei eu à procura da minha própria identidade, que foi construída aos poucos, de momentos que aconteceram... e que ainda hoje interferem no meu caminho...

Assim, tudo o que posso pensar é que existe um destino, em que cada um encontra aquilo que é importante para si mesmo... ainda que as pessoas que entrem na minha vida, aparentemente, não me ofereçam nada, mas elas não entram por acaso, não passam apenas por passar...
As pessoas que entram na nossa vida... sempre por alguma razão, algum propósito.
Encontram-nos ou nós é que as encontramos, meio que sem querer, sem data ou hora marcada...

Presto a necessária atenção, em todas elas... e vivo na ilusão... da brisa que arrefece o ar, que se quer gravada... na neblina libertina sobre uma imensidão líquida tão só... de lembranças passadas, algures num navio que nunca ninguém viu...

Um espelho polido... por vezes remoto reflecte vidas dissimuladas... pessoas dispersas na neblina da vida ... por vezes desprotegidas, por momentos, a vaguear sem marcas ou encalços... e eu olho-as nos olhos... olhos que me dizem para as deixar ir... para as deixar para trás... que o futuro depende do presente...

Consegues ver?... que sorte a tua... porque ninguém se importa, tanto faz... a vida corre mas não volta atrás... e vivo na ilusão... sem rumo sem destino... apenas em pensamento que me leve onde mais desejo ir...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cavaleiro solitário

É tarde … longa a viagem na noite sombria …
Sou um escritor isolado … que cavalga nas ondas da escuridão em busca da inspiração perfeita …

As ruas desertas e frias … ainda que isso possa transpor centenas de sentidos … na agonia contraditória da busca do belo, simplesmente, é tarde … e a noite sem lua é companheira …


Sempre na esperança que a cada esquina o novo se renove e a lua brilhe para raiar o caminho … é tarde para queixar à alma a culpa, percorro mudo nos rastos do destino…

O sol foi-se, mas a estrada dos sonhos é longa … o vento, as tempestades … por muito complicado que seja … sou amante da noite e da solidão … E que procuro ainda assim?

Ainda assim, que tenho eu de sol? Carrego a vida que cresce porque existe … deixa-me calmo na minha jornada … e o que procuro? Afinal imaginar ocupa-me a mente … deixa-me assim … Só …

E se a luz, o que está dentro de mim se apagar …? As almas que estão do meu lado poderão morrer de frio … porque se desistir de um sonho morre um acto da natureza que jamais serei capaz de compreender …

Nunca tive capacidade para decifrar o motivo desta solidão... queria ao menos ver-te, falar-te... mas não posso voltar a sonhar, pelo menos para já, num dia, contigo e o amanhecer...

Eu ando nas ruas e só consigo ver abismos... abismos de homens e de mulheres... porque sou um cavaleiro solitário... proibido de amar... nesta vida onde não existe sol … só as palavras, e o silêncio … onde não há a hipocrisia de culpar … quem não tem culpa? … Ninguém tem culpa …


Será? Ou será que sou eu, cavaleiro solitário que percorre a rua, a transversal da vida, deitando assim a culpa da minha existência infeliz nas outras pessoas porque perdeu a coragem de viver? Talvez sim, talvez não... Talvez eu seja realmente uma existência infeliz. Mas eu nunca vou ser, o que os outros querem que seja, apenas mais um na multidão...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Choras sem querer … lágrimas de saudade …

Talvez porque o dia seja triste e encontres nele o olhar...
Hoje resolveste ser diferente, alheio ao mundo … não queres … mas não consegues evitar … recordar …

Pensaste ser eterno … tudo … sem dia para acabar, imaginaste que ias sempre ter o céu para não te perderes…
Quiseste acreditar no tempo como amigo … aliado … ser teu, todo o tempo…
Hoje acordaste e viste um mundo diferente … percebeste que tudo nessa vida depende só de ti …

A abundância da vida atira … dispara as dificuldades, e, inocentemente ou inconscientemente, não olhas as realidades …
Não olhas as águas espelhadas, não vês o rosto cansado! O dia é triste, talvez encontres o olhar … já passava de meio, chegando ao fim …
Abriste a janela, pensaste que o brilho do sol penetraria nos teus olhos… mas estavas longe … não reparaste, ainda era noite, e nem o brilho da lua buscava aquele olhar …
Querias poder dominar o tempo … poder eternizar os melhores momentos … desta forma seria melhor … ó se era melhor...
Sem ao menos perceberes, lágrimas escorriam, salgadas na face opaca …
Não estavas alegre … mas também não estavas triste, era estranho, porque não sofrias …
Verdadeiramente não sei… então porquê aquelas lágrimas, porque desciam dos teus olhos? Será que foi a saudade que veio visitar o este coração, ou um triste sentimento de desilusão? Não sei!!
Uma lágrima solitária, de saudade percorreu um rosto… na ânsia da solidão, um coração que não deixa de gritar por alguém...


Choras porque sabes que também alguém chora por ti … que não podes estar lá para consolá-lo, para secar essas lágrimas que nascem fundo …
Junta-as todas… as tuas lágrimas e as desse alguém, naquele choro mais forte que … que consigas matar essa saudade …
Juras, querer contê-lo, mas ao mesmo tempo sufocavas com o próprio soluçar…Foi nesse momento que paraste de lutar …

Lutar contra, apenas fazia cair ainda mais esse triste olhar … era tudo muito estranho...Quando percebeste já era dia …

Pensas em tantos dias, tantas noites que passaram juntos, e ainda assim poucos para a saudade que te esgota…
E choras novamente, de saudade de ti … choras por saber que não lhe podes tocar ...
Não te cansas de sentir a falta daquele calor … a saudade que sentes ... é imensa, o vazio em meio peito … maior que o oceano …
A dor que sentes ... por perder ... não tem fim...
Uma foto, traz um sorriso, que acaba com o choro, uma alegria que não tem como não revelar... Era só buscar no brilho do olhar!


Uma paixão contida que ninguém sabe, a imensidão que ela representa em ti ... Nem mesmo o teu próprio amor sabe dessa paixão ... paixão que é maior que teu próprio coração... É... descobriste o significado daquele choro que continha a tua própria alma ... eram gotas ... gotas de lágrimas de saudade que desciam sorrateiramente sobre a tua face ...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Pensamento submerso

O pensamento começa com a dúvida … somente na dúvida … em que o que sabemos é uma simples e ingénua gota e o que ignoramos é a imensidão de um oceano …
Julgamos eternas aparências de um mundo que nos engana … perdidos na comodidade arrependida, com lágrimas de crocodilo, da ignorância … é também preciso viver e não apenas existir … quiçá elevar no pensamento … pensamento submerso de ilusão e esperança …


Com a imagem trémula algures … ao longo do percurso …
Em que o dedos entreabertos definem imaginários e misteriosos contornos num pensamento submerso …
Neste sentir sem feitio, sem sinal … no correr da paz da tarde, num mundo de sonho … provavelmente a sensação do fantasma de quem costumava ser …

Afundar nos enredos da vida … no auge do "Ser" e mentir, mentir intimamente … glorificar verdades mentirosas do que se quer ou se tem medo de ter …
Escalar pensamentos íngremes e escarpados, viajar na suave e extensa memória do jamais voltar a ter, tropeçar em recordações das quais há saudade … dias que não voltam atrás … oportunidades perdidas … inconscientemente … mas conclui-se ao percorrer na íntegra, criando no tenebroso imaginário a Tempo Encantado do Anoitecer, infinitos tempos irreais, pura ilusão de sonhos e sentimentos não esquecidos!


Alucinar no sentimento … com esperança de esquecer o medo …
Na angústia da dúvida que a razão atiça a cada circunstância.

Um arco-íris duma cegante luminosidade no caminho resplandecente … abre a bruma, e vai lentamente espreitando… à medida que o Sol vai fugindo …
O fascínio misterioso dum pôr-do-sol à beira-mar encoberto em segredo, talvez um leve palpitar no mais dissolvido Ser, algo que vai para além daquilo que é preciso acreditar…




Desfocados contornos humanos vagueiam, em sombras assustadoras … parecem figuras de lendas sistematicamente contadas ao escurecer …
Uma voz, leve, chama … suave, diz para escutar o inconfundível e maravilhoso mar, que transmite paz … num longo trajecto matinal … o melhor amigo … melhor conselheiro...

Especular o voo das gaivotas, supor o seu destino … se têm medo de voar … ou será que algo as preocupa … concentrado no sistema circundante, ficar a voar com elas para longe, a linha do horizontes, o limite sem limites … e pedir que o momento não acabe…

Ofusca o fim do anoitecer, em regressão ao habitual pensamento, comum… submerge … dum caminho, duma luminosidade, duma bruma, e vai lentamente espreitando sem querer olhar … deixar um adeus à quietude, à paz profunda … pairar no ar num último voo sublime … de espaços infinitos … no fim sem limites, sem vedações, sem muros, sem fronteiras …





Mas … existe um mundo á volta … e … ao olhar em redor no vastíssimo areal, amarelo-torrado, de razão que se ausenta suavemente engolido pela força do mar, da rotina no poente … vagueando, pé à frente e atrás, sentindo a plenitude … não passamos de mais um estranho, um simples desconhecido … que caminha só … acompanhado pelo vento, acompanhado pela solidão … um livro, que ninguém se digna a ceder um leve e curto sopro para tirar o pó … que ninguém quer abrir … folhear … deixando apagar as páginas de uma vida, momentos … afogar sentimentos … afundar pensamentos submersos …