Sou um escritor isolado … que cavalga nas ondas da escuridão em busca da inspiração perfeita …
As ruas desertas e frias … ainda que isso possa transpor centenas de sentidos … na agonia contraditória da busca do belo, simplesmente, é tarde … e a noite sem lua é companheira …

Sempre na esperança que a cada esquina o novo se renove e a lua brilhe para raiar o caminho … é tarde para queixar à alma a culpa, percorro mudo nos rastos do destino…
O sol foi-se, mas a estrada dos sonhos é longa … o vento, as tempestades … por muito complicado que seja … sou amante da noite e da solidão … E que procuro ainda assim?
Ainda assim, que tenho eu de sol? Carrego a vida que cresce porque existe … deixa-me calmo na minha jornada … e o que procuro? Afinal imaginar ocupa-me a mente … deixa-me assim … Só …
E se a luz, o que está dentro de mim se apagar …? As almas que estão do meu lado poderão morrer de frio … porque se desistir de um sonho morre um acto da natureza que jamais serei capaz de compreender …
Nunca tive capacidade para decifrar o motivo desta solidão... queria ao menos ver-te, falar-te... mas não posso voltar a sonhar, pelo menos para já, num dia, contigo e o amanhecer...

Será? Ou será que sou eu, cavaleiro solitário que percorre a rua, a transversal da vida, deitando assim a culpa da minha existência infeliz nas outras pessoas porque perdeu a coragem de viver? Talvez sim, talvez não... Talvez eu seja realmente uma existência infeliz. Mas eu nunca vou ser, o que os outros querem que seja, apenas mais um na multidão...



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