Uma certeza … ou incerteza. Não pertenço aqui … surge essa dúvida. Onde pertenço afinal?
Ando meio perdido, apagado, meio encontrado, à espera que alguém me encontre…
Se alguém encontrar … em parte alguma perdido, é porque a parte encontrada … dorme … a parte perdida vagueia algures.
Nada pode ir contra o sem sentido … apelo do Não.
E no fim de tudo, não é estar perdido … nem perder um grande amor, mas sim descobrir que nunca se foi amado.
Lembro-me de momentos … perdido no eu … no canto da memória em que o amor não tinha tempo para acontecer. Só acontece uma vez, e não acaba, porque se achamos que ele já aconteceu e lamentamos por tê-lo perdido … é por que ele nem começou…

Existe a casa do tempo perdido… talvez escondido…
Aproximei-me e bati no portão do tempo perdido, mas… ninguém atendeu…
A segunda vez mais forte … e mais outra e mais outra, sem resposta figurada…
Uma casa do tempo perdido coberta de trepadeiras, não toda … talvez metade … enquanto a outra metade era pó cinza.
Na casa não mora ninguém, e eu batia e chamava pela dor de chamar e não ser escutado … Simplesmente bater.
O eco profundo devolve-me desassossego de desassombrar essas passadas de indiferença quando a noite e o dia se atrapalham no esperar, e no bater e bater.
O tempo perdido certamente não existe … e eu … ali a bater naquele velho portão… É o casarão vazio e condenado.
Vejo o sol à superfície, é uma laranja idêntica, deve ser o nascer do sol. Um mar de lágrimas envoltas numa mantilha branca de nevoeiro com sensações e pressentimentos. Tenho saudades do barco, de estar no mar, longe, de olharmos as cores do Sol…

Era um canto só nosso onde mergulhámos em conversas, flutuámos em sentimentos … emoções … apesar dos vários mergulhos feitos por ti para me recuperar … Mas a meio do caminho afundo-me de novo, uma vez, e outra e por aí além. Não mergulhes mais, não te molhes por mim, fico para sempre guardado no mundo sem cor e sem música, vendo os raios de sol a bater na superfície.
Não quero voltar … olha, existe uma cidade, além, perdida no meio do oceano, dizem que é Atlântida, a cidade perdida. E assim é como me sinto, tal como a cidade, também eu me sinto... perdido.

Contudo existem muitos cantos perdidos por aí … não tão perdidos quanto eu … onde me conquisto e devolvo ao mundo real … que me frustra e faz regressar ao que menos quero ser … alguém perdido …



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