Mais um dia... um longo dia, excessivo, intenso que passou sem dar por nada, na estrada da vida que espreita em cada esquina trocando as gravuras do caderno...
Não vai rabiscar mais palavras bonitas que não saem... sensibilidade ou a opinião de que vou enlouquecer...

Não vou escrever mais, hoje vi que tudo afastou o sentido. Porém olho para ti e nada do que sinto... posso escrever... está perdido, pois o meu olhar gelou quando encontrou o teu, quando o mundo não parou... e a tinta secou num tempo húmido de inverno em que folhas secaram com o calor da lareira entrelaçada na lenha...
A caneta já não escreve no momento que o poema aperta...
Cães a ladrar, espantam a noite que aperta contra o poema... e a caneta não escreve na noite onde cães ladram... a caneta que não escreve o poema que aperta, que me aperta... contra a solidão e o momento...
E a caneta que não escreve e os cães ladram para espantar a noite para espantar a caneta que mesmo assim não escreve...
Vi que perdi... e não vou escrever mais... não, não quero mais as palavras, já não têm sentido no tempo que ficou perdido, em que nem o sol serve de abrigo porque já não estou contigo...
Os meus fantasmas? Não são para aqui chamados.
Ela não queria escrever, e eu queria que ela escrevesse.

Hoje não vou escrever nada, a minha memória está desabitada e o coração expressa para eu fique calado porque os olhos não levam a lugar nenhum...
O acaso revoluteia à minha presença em forma de anjo, nem do que me lembro mais ou menos... Vou subir pelas escadas, contar os degraus, ocupar a mente, não lembrar de tudo... não lembrar de nada...
Mesmo assim não vou escrever nada, porque o coração está desguarnecido e a mente calada...Acredito no acaso e em casos ocasionais dos amantes, ou flores rasgadas...
Nem sei por que é que isto acontece, mas... agora, pensando bem, os dias são repetições de lições que vemos e não aprendemos e mesmo assim, ensinamos aos outros...
Agora bem no fim deste texto... só agora percebi que ao escrever negamos o contrário dos factos verídicos. O que trazemos por dentro é... às vezes irreal ao que mostramos no rosto...

Não vou rabiscar mais... vou rasgar a folha vazia... vou pôr tudo numa arca, forrada com a brisa do mar... vou colocar aquela marca, aquela que insistiu em ficar...
Não vou escrever mais...



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