segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O fim de uma etapa...

Mais um ano que atravessámos, nem sempre glorioso ou vantajoso para todos. Temos a mesma essência... a mesma formação... o mesmo sonho... o mesmo propósito. Mas... as nossas reacções e comportamentos variam... demonstrando uma personalidade singular... simplesmente distinta... reconfortante...
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Chegámos ao fim. Mais um ano cheio de expectativa, como se cada mudança viesse com um novo fundamento ou uma revolução milagrosa que pudesse transformar a vida como um artifício magico.
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O ser humano separou o tempo em dias, horas, segundos, meses, para estabelecer normas reguladoras dos afazeres. Porém tudo gira num perfeito equilíbrio... independente da nossa vontade e das nossas angústias...
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Mais uma etapa na tua vida que vences com sucesso! Mais um degrau que sobes forte e feliz!
Nunca desanimes perante as dificuldades e assim vencerás as adversidades. Nunca percas a fé nem a força... sê persistente mesmo quando caíres...
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Foi a despedida da instrução? Terminou um contacto? Acabou mais uma etapa? Hoje cheio de vida... a anunciar uma nova etapa, mais um ano de buscas e projectos... Uma corrida pelos sonhos, como se por ventura, o outrora tenha sucedido fora da essência da alçada por onde os nossos projectos fracassaram...
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Lembra-te de que existiu uma época em que podias viver sem aquilo, sem aquela pessoa. Nada é insubstituível... um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio... pode mesmo ser difícil...
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Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por arrogância, mas... porque... simplesmente tal já não se encaixa na vida...
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Encerra-se uma porta, muda-se o disco, limpa-se a casa, sacode-se a poeira. Desistes de ser quem foste, e transformas-te em quem é. Tornas-te uma pessoa melhor e asseguras que sabes bem quem és... antes de conheceres alguém e de esperares que vejam quem és...
...
Para outros, o mesmo sol que apareceu promissor, revela-se como um desalento de inquietação sem saber qual rumo a tomar, numa rotina interminável. Nada mudou, é apenas mais um dia...
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Realmente é mais um dia, que fará grande diferença se nos sentarmos para fazer um balanço, cobrar juros, a correcção monetária da vida. Onde falhámos, porque não conseguimos... como devemos revolucionar a nossa capacidade criadora para remediar situações antes insatisfatórias.



É sempre preciso saber quando é que uma etapa chega ao fim...

...
E lembra-te:
Tudo o que chega... chega sempre por alguma razão...

terça-feira, 12 de maio de 2009

O banco de jardim

Com o sol cintilando no teu rosto, acordaste, ali, deitada num banco de jardim. Não recordavas o motivo pelo qual dormias na rua, tão pouco sabias porque te sentia assim, não de corpo mas de espírito. Estavas desnorteada, dispersa nas dúvidas, e ali ficaste, entregue aos pensamentos.
Todos passavam e olhavam, mas, ninguém se interessava.
Esvoaçam andorinhas, Tu e as flores. Vermelhas, rosa escuro e lilases.
A tranquilidade. As horas que passaram. Dos ramos voavam já, uma vez mais, muitos dos amentos da cerejeira.
O sol, escondido por entre as nuvens e a brisa perfumada. O canto dos pássaros e o ranger do baloiço. Eu penso em ti. E tu, em que pensas?
Dentro do muro, um baloiço de jardim; fora, uma rua. Fora do muro, um caminhante. Lá dentro, um riso de rapariga bonita, de ti...
Empurrei-te o baloiço, para a frente, para trás... tinhas asas, eras pássaro, cometa ou avião! Movias-te como se fosses capaz de tocar no céu com a própria mão!
Prendo-me a ti na urgência de um grito, dado num labirinto esporádico... e... baloiço-me outra vez nesse olhar que seduz. Perco-me na intensidade ardente dos teus olhos que desvanecem a qualidade derradeira do teu coração...
E baloiço-me em partículas de luz, suspensas no teu olhar... no baloiço do jardim...
Sentados no banco do jardim, falamos das vidas. Das nossas. Do que perdemos, do que não ganhámos, do que vivemos, do que deixámos de viver, dos projectos que não realizámos. Das demasiadas perdas.
Hoje deixo mais algumas palavras para reflectir… Comecei recentemente algumas lembranças do passado pensando no futuro e fui descobrindo coisas fascinantes e outras verdadeiramente inimagináveis… de mim mesmo que pensei serem pesadelos de uma vida que não quis ter... Não vou divagar... apenas digo que um dia todos lá vamos chegar, e nessa altura não vamos querer ser apenas mais um velho sentado no banco do jardim…
Um velho sentado, curvado, de olhar triste e cansado, com uma história para contar, antes que o tempo se acabe, antes que o tempo o apanhe. Mais um velho num banco de jardim. Um banco de jardim quase vazio…

domingo, 26 de abril de 2009

Sonhar alto...

A minha vida não é só feita de vocábulos bonitos que, ao unirem-se, resultam em belos textos. A minha vida é feita, essencialmente, da realidade. E a realidade tem os seus pontos altos... e os seus pontos baixos.
E sonhar alto demais é imprudência? É imaturidade em alguns casos?
Sempre me disseram que nunca se sonha alto demais... que se acreditasse, havia de ter.

E eu digo: "Mas porque acreditei nisso?" Agora arrancam-me os olhos e pregam-nos à realidade! "Não podes sonhar!". Dizem vozes ocultas laterais, traiçoeiras. E eu não sonho.

Que hei-de dizer... neste caso nem amor cura as feridas. Acentua-as, faz cometer loucuras e enfrentar as mais duras provas... mas no fim, a solidão prevalece. O amor esvai-se, acaba, termina, foge, esgota-se, morre, perece, ponto final... E abandonado estaco, deixado apenas com o sentimento de vazio e um punhado de memórias que não servem para nada, NADA!

Eu já tive sonhos mais altos quando era apenas mais um adolescente, mas hoje, com 20 anos, percebi que para mim não seriam coisas boas, por mais que me questionem sobre o porquê de não investir, porque mudei, porque deixei que a vida passasse sem lhe dirigir palavra. Hoje alcancei algo que, embora seja bom, não equivale nem a um terço daquilo que tanto sonhei na minha fase sonhadora...

Quando escrevo textos que, muitas das vezes, só têm lugar na imaginação, sei que não passam de sonhos e que a realidade é, na grande parte das vezes, menos boa.
Embora sonhe muito, sei o que é a realidade. Por vezes... quem sabe... confesso, custa-me aceitá-la e sinto-me revoltado...

Disseram-me que quanto mais alto se sonha maior é o tombo. Só faltou um pormenor... esqueceram-se de me perguntar se eu tenho medo de cair...
Crio histórias, visualizo uma personagem e dou-lhe o papel principal, consigo distinguir entre a realidade e a ficção. Tenho sonhos. Sonho acordado, sonho com um futuro bom em todos os campos. Sonho e ninguém me pode privar disso. “O sonho comanda a vida”...

E se não tivéssemos sonhos, também não tínhamos ambições. Se não tivéssemos ambições não nos sentiríamos realizados.
É verdade. Quando somos adolescentes, queremos sempre dar passos maiores que a perna - não temos medo de sonhar, e pensamos alto, quase que impossível...
Sonhamos em ser importantes, como os tipos das novelas ou dos filmes ou super-homem, dono de uma super empresa igual à do Belmiro de Azevedo, namorar uma actriz...
Mas quando vamos amadurecendo, percebemos o que está ao nosso alcance e o que não está – e a nossa meta passa, de ser o dono de uma super empresa, a ser... quem sabe, um bom gerente da empresa que me dê uma oportunidade, ou como na situação actual do país... mais um para as estatísticas...

Pois é Sonhador, a vida podia ser um campo de girassóis ou ter o odor a rosa. A vida podia ser perfeita, mas não o é. Já pensei, e já escrevi um texto que vou publicar, se fosse tudo perfeito, daríamos o mesmo valor à vida?
Sonhar é bom. Eu também sonho muito... Divago nas ondas, perco a noção do tempo.
O melhor dos sonhos é que neles te podes reinventar e como tal não há limites. És quem queres não quem já te habituaste a ser. Nos sonhos, consegues o papel da personagem principal e vives aquilo, que na realidade não consegues ou não podes.
Podes ser quem quiseres. Podes ter o que quiseres. Podes ir até onde quiseres... Não há limites apenas o futuro e o horizonte...

sábado, 18 de abril de 2009

Ela chorava e fazia chover

Lá fora chovia. Ouviste chover. Estava escuro e estavas sozinha no quarto, não vias nada. Será que vais ser sempre assim? Naquele dia ali deitada... eras uma mulher feliz... Ou pelo menos pensavas ser... porque tinhas tudo o que uma mulher desejava...

Será que isso foi real? Ou apenas uma ilusão? Só tu saberias responder...
Talvez, mas querias mais, como magia fazer flutuar, deixar os problemas e sonhar... querias ser como o vento... o vento que sopra nos cabelos, a flutuar no ar, com liberdade e beleza... sonhar sozinha, e sentir o carinho do mundo, como o vento... vento, que contorna o corpo sem ferir, sem sentir...

Mas como vejo, foste embora e o vento acabou, nada mais ficou que a brisa para soprar toda tristeza e mágoa no rosto... a brisa que fica em movimento, ela que tira as mágoas e faz sonhar, longe, onde o vento não vai...
Querias ser o vento para poder tocar, para poder sentir, sem magoar ou agredir...

Mas foste embora sem saber como é sonhar um sonho verdadeiro. Avançaste sem saber o que é voar em delírio. Foste... sozinha...
Tencionavas deixar a marca da passagem intencional... de carinho que não percebeste que estava em ti... que o vento não deixa, que o vento não faz... sem dor, sem sentimento, sem cor...

Fecha os olhos e vê o vento... ele não chora a tua falta... quem chora és tu porque o vento parou. Seguiste em frente e deixaste tudo para trás... mesmo TUDO...

Uma tristeza sem fim, dentro... o coração batia como um relógio num sentimento de calafrio... dentro do ser, esta dor, tão forte...
A mente que desapareceu no infinito... vazio dentro do corpo, não sei explicar...

Quem teria inventado a lua? Porque é que me fascina tanto? E de repente percebi que não eras tu. Não podias, como era possível? Era apenas ela. Chorava... chorava muito…
Porquê não sei. Mas chorava. E por isso chovia. E depois, em vez de me ver, vi-te a ti. Eras tu! Lá no alto, por entre as estrelas, choravas e fazias chover.



Querias voar, voar, voar... querias sentir, sentir... queria apanhar, essa liberdade de viver e ser livre no tempo para te soltar, libertares-te das amarras da vida e... ser livre de voar pelo mundo...
Ai, como eu queria ser assim... poder dar fim a esta dor que queima...
Mas não esperaste. Soltaste a imaginação e perdeste-te nas correntes do vento...
Fizeste marcas que não doem mas que ficam para sempre...

Estava longe… e tu choravas. E o único som que se ouvia era o barulho da chuva.

Lembro-me ainda mais de ti. Porquê? Será que vai ser sempre assim?
As forças estão a acabar, não consigo lutar mais por uma pessoa que me magoou... Por uma pessoa que não sabe o que é amar.

Afinal continuavas de pés bem assentes na terra, continuavas deitada e vias chover da janela do teu quarto escuro, frio e incrivelmente vazio sem mim. E choravas, ao ritmo da chuva...

Mas por ti, até o vento vai parar de soprar. Aí e só aí tu voltas, e esqueces. Das alegrias, das risadas, do carinho que o vento te fez.

Adormeceste a chorar e a ouvir a chuva, que era afinal o choro da lua, que eras tu. Choravas e fazias chover e tudo porque estava longe. E embrenhada na escuridão do teu sono sonhaste comigo, sonhaste que estava contigo...

E assim nesse sono estava perto, sempre perto de ti... como o vento...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Aprendeste...

Gostava de saber se fui um bom professor ou conselheiro, mas, quem sou eu para ensinar ou dar conselhos.

Apesar de tudo disse-te que deves sempre dar palavras boas... porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir. Que quando te importas com rancores e amarguras a felicidade vai para outra parte, e as oportunidades nunca se perdem pois, aquelas que desperdiçadas... alguém as aproveita...
Eu aprendi... Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis pelo que eu sou, mas não pelas escolhas que eu faço quando adulto...

E o que aprendeste afinal?

Será que aprendeste que ninguém é perfeito enquanto não te apaixonas... que a vida é dura mas tu és mais que ela!! Apesar de não poderes exigir o amor de ninguém...

Será que percebeste que não podes escolher como te sentes... mas podes sempre fazer alguma coisa... podes apenas dar boas razões para que gostem de ti e ter paciência, para que a vida faça o resto...

Terás tu aprendido que certas pessoas vão embora da tua vida de qualquer maneira, mesmo que desejes retê-las para sempre... porque todos querem viver no cimo da montanha... mas toda a felicidade está durante a subida... em que tens que gozar da viagem e não apenas pensar na chegada...

Aprendeste ou não... que não importa o quão certas as coisas sejam importantes para ti, existe alguém que não dá a mínima importância e jamais conseguirás convencê-las. Que vai demorar muito para te transformares na pessoa que queres ser, e deves ter paciência.


Que há muita gente que gosta de ti, mas não consegue expressar isso. Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio justamente daquela pessoa que achavas que iria tentar piorar as coisas...

Mas, aprendeste que podes ir além dos limites que colocaste. Um sorriso é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto. Que não é o bastante ser perdoado pelos outros, porque precisas me perdoar primeiro. Aprendeste que, não importa quanto o teu coração sofre, pois o mundo não vai parar por causa disso.

Saberás que as palavras de amor perdem o sentido, quando usadas sem critério?

Aprendeste que uma existência pode mudar para sempre, em poucas horas, por causa de gente que nunca viste antes. Que amigos não são apenas para guardar no fundo do peito, mas para mostrar que são amigos.

Fico satisfeito por finalmente saber. Aprendeste, afinal, que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e sabes lutar pelas coisas em que acreditas...

quinta-feira, 19 de março de 2009

O álbum de recordações

Olhar no passado... cansado de ver o presente, uma realidade demente de si só, de ser quem é, quem quer ser...
Cansei-me do presente, doente de mim, doente de recordações, doente de mentiras, de enganos e conquistas sem fruto. Cansei-me de ser eu, de quem sou, de como sou, como quero ser, como não sou capaz de ser... nem sei se serei mesmo eu...

Abri o álbum de recordações, aquelas sensações guardadas em pequenas fotografias esquecidas, no canto da prateleira empoeirada, sem sinal de movimento ou utilização, como se quisessem passar despercebidas, esconder-se de quem as quisesse ver...



Estava ali, como todos os outros dias. Mas hoje, não sei... mostrou-se diferente, como se tivesse algo novo. Mesmo assim reparei nele, reparei nele... tão só separado dos outros como se aquele fosse o seu mundo, talvez apenas um segundo, ou dois...

Essa característica é comum em todas as pessoas, curiosidade. Vivemos a tentar prever o que poderá vir depois, ou não virá. Foi então que... lhe peguei como o maior cuidado, iria desfazer-se, coisa mais delicada, pensei eu...

Era velho, muito velho... tão frágil e tão poderoso... O seu aspecto frágil esconde o seu poder, de trazer á tona o passado, nada mais o conseguiu até então...

Um leve sopro que solta o pó da sua superfície cinza... capa espessa, fazia-me lembrar outro álbum que eu próprio fiz... a semelhança era imensa, os contornos torneados, as abas semi-concavas...

Abri a capa, logo no inicio... Mania de começar pelo inicio. Quem não tem curiosidade de saber o que acontece no fim? Como vai terminar?

Apesar de fechado estava sujo, de um fina camada de pó, espessa o suficiente para impedir que vislumbrassem o seu conteúdo. Peguei num farrapo e limpei completamente aquela superfície... afinal era o meu álbum, um álbum que escondi de mim com medo de enfrentar o passado, as memórias que fingi esquecer...


Um álbum começado do inicio, um inicio … todos querem um inicio … será possível, mas qualquer um consegue dar um inicio … sim … existem requisitos para começar … é preciso ter coragem … determinação … iniciativa … uma boa ideia do que se quer …
E um fim … será que qualquer um consegue dar um fim?

Mas não tive coragem de lhe dar um fim... ficou inacabado, como tantos outros projectos que nunca quis enfrentar, com receio do passado, ou do futuro. Era tudo feito do mesmo material, o mesmo de que são feitos os sonhos em que não era obrigado a vencer mas a ter o dever de ser verdadeiro …

Mas que significava tudo aquilo, sem sentido, sem motivo, sem traços gerais para seguir um pequeno caminho que fosse... mas tudo se resume a factos...
Factos da vida, factos que atravessamos, factos que enfrentamos, factos que não queremos saber ou factos que nos perturbam e deixam sem dormir... E talvez fosse isso, talvez posse tudo junto, todos estes factos num só, um turbilhão de confusão a mais que remontam a tempos passados, mais sossegados em que nada se passava, em que tudo e nada eram um só...

Em muitos momentos, ponderamos um final dos factos e acontecimentos involuntariamente … isso quando o destino não decide colaborar e o fim acaba por ser o início por conta própria … É mentira afirmar que se inicia pelo fim … porque o inicio é por onde se começa, independentemente da ponta da corda que se queira puxar...


Mas há algo realmente muito importante nesse pensamento. Existe, nisso toda uma esperança, um optimismo, um apoio pelo bem sucedido, seja lá o que ele for. E, se o fim é a felicidade, por que não começar por ele?

sábado, 14 de março de 2009

Quem és tu?

Quem és tu rapariga dos meus sonhos... nesse jardim verde... corres nos trilhos dos malmequeres... quem és? Gostava de saber... quero conhecer-te,
Falaste de mim numa voz tão suave, melodiosa, tão inocente... e chamaste-me à razão, pediste a atenção, que é toda tua... e conversámos... dos meus medos e dos teus sonhos... tão calmamente... como se o hoje não acabasse e o amanhã estivesse de férias...




O meu mal é gostar tanto da tua maneira de ser, como se nada fosse sem uma justificação...
Não soube entender o que serias para mim... não soube, ou não quis ver... e agora sofro assim, porque os dias passam a doer, porque sofro a ausência, porque sem ti não quero viver, por seres quem és, como és.

Então subitamente segredas que o dia espera por mim, e vais... sem destino ou direcção, desvaneces, e acordo... para um novo dia inquietante... desejoso por saber quem és. Quem és tu afinal?
Achas que me sinto bem assim? Achas que sou feliz? Ouvir a tua voz e não te poder tocar, é um castigo colossal... tudo isto faz-me sofrer, esta incerteza...

Quando penso em ti parece que o mundo pára e as pessoas congelam, porque vozes se calam num mundo que ganha uma nova cor...




Foges de quem és, porque escondes o teu nome, quem és. Sinto-me bem contigo, mas não sei quem és, onde estás ou como te encontrar... apenas... apareces às escondidas nos sonhos e vens acalmar os pesadelos...

Planeio perceber-te... quando dizes uma coisa, em que pensas outra.
Tanto aparentas gostar de mim, como por fim arrumas os sentimentos mostrados...
Continuas a fugir às perguntas, sorrateiramente mudas, finges não ouvir, alteras o momento...

Mas sou curioso, e anseio que o dia passe e a noite regresse...
E se hoje estou aqui é para te dizer o que eu sinto dona do meu ser... sim... tu...

O tempo passa, mas... o que é o tempo? O que faz ele de nós?! Será o responsável por cada momento que não podemos voltar... ele divide-nos... separa-nos. O tempo passa, sem nunca parar...



Vou fechar os olhos, à espera que a noite te traga de novo... quero ver-te... estar contigo... quem sabe, desta vez me digas o teu nome... quem realmente és... rapariga dos meus sonhos... mesmo que não sejas real...

quinta-feira, 5 de março de 2009

A caneta que não quer escrever

A caneta azul... lacrimeja pela nona hora...
Mais um dia... um longo dia, excessivo, intenso que passou sem dar por nada, na estrada da vida que espreita em cada esquina trocando as gravuras do caderno...

Não vai rabiscar mais palavras bonitas que não saem... sensibilidade ou a opinião de que vou enlouquecer...


Não vou escrever mais, hoje vi que tudo afastou o sentido. Porém olho para ti e nada do que sinto... posso escrever... está perdido, pois o meu olhar gelou quando encontrou o teu, quando o mundo não parou... e a tinta secou num tempo húmido de inverno em que folhas secaram com o calor da lareira entrelaçada na lenha...

A caneta já não escreve no momento que o poema aperta...

Cães a ladrar, espantam a noite que aperta contra o poema... e a caneta não escreve na noite onde cães ladram... a caneta que não escreve o poema que aperta, que me aperta... contra a solidão e o momento...
E a caneta que não escreve e os cães ladram para espantar a noite para espantar a caneta que mesmo assim não escreve...

Vi que perdi... e não vou escrever mais... não, não quero mais as palavras, já não têm sentido no tempo que ficou perdido, em que nem o sol serve de abrigo porque já não estou contigo...
Os meus fantasmas? Não são para aqui chamados.
Ela não queria escrever, e eu queria que ela escrevesse.



Hoje não vou escrever nada, a minha memória está desabitada e o coração expressa para eu fique calado porque os olhos não levam a lugar nenhum...

O acaso revoluteia à minha presença em forma de anjo, nem do que me lembro mais ou menos... Vou subir pelas escadas, contar os degraus, ocupar a mente, não lembrar de tudo... não lembrar de nada...

Mesmo assim não vou escrever nada, porque o coração está desguarnecido e a mente calada...Acredito no acaso e em casos ocasionais dos amantes, ou flores rasgadas...
Nem sei por que é que isto acontece, mas... agora, pensando bem, os dias são repetições de lições que vemos e não aprendemos e mesmo assim, ensinamos aos outros...
Agora bem no fim deste texto... só agora percebi que ao escrever negamos o contrário dos factos verídicos. O que trazemos por dentro é... às vezes irreal ao que mostramos no rosto...



Não vou rabiscar mais... vou rasgar a folha vazia... vou pôr tudo numa arca, forrada com a brisa do mar... vou colocar aquela marca, aquela que insistiu em ficar...
Não vou escrever mais...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Palavras que choram

E... no silêncio de um olhar, quando os suspiros imploram para se afogar na mágoa... há palavras que cegam sentimentos que residem no coração, nos ingénuos corações quando lágrimas caem e paixões se afundam em penosas frustrações...


Palavras que escrevo... palavras que dito...
Caem palavras, a cada toque, a cada momento, a cada sentimento perdido... serão palavras... ou gotas de orvalho na manhã sublime que se espera encontrar...

Não... a gota de orvalho não cai... pousa suavemente de uma forma... tão delicada, tão pura... tão intocável... e abala com o raiar da luz do dia...

Serão lágrimas... gotas salgadas de olhos tristes, ou não... escondem sentimentos, momentos, perdidos e esquecidos... superficialmente... vontade de... nem sei...


É dor... são sentimentos... e caem do coração, são lágrimas, o fim de um furacão e o começar da bonança, quando as almas se agitam com brilho da sorte com a ternura da verdade... promessas que falam...
É o sossego que invade o ser quando devia gritar os desgostos que enfraquecem, é o vazio que se sente no peito e a paz que alivia a alma que escorre pelo rosto... são palavras que se calam...

Não, não são lágrimas verdadeiras... molhadas com mágoa ou felicidade... exprimem muito mais... e verbalizam exactamente o que querem, o que sentem sem rodeios, sem receios de timidez ou escassez de sombra de dúvida... são lágrimas, sem duvida lágrimas de palavras... vocábulos que já perderam sentido há muito... ou não... talvez não, possivelmente o sentido sente-se perfeito, cuidadosamente expresso, o momento guardado, o toque sentido... cada palavra, uma lágrima, uma mágica e brilhante lágrima capaz de trazer o passado, os melhores momentos, os melhores sentimentos, o toque especial... mas... tudo desvanece... tal como as lágrimas evaporam...


O eco da solidão dos sentimentos que caíram em palavras que suspiram e fazem algum mal...

E o gotejar na espera ilusória que a lágrima dure, permanece muito mais, um tempo infinito... no entanto... não passa de uma espera, desespero de uma ilusão, um ciclo vicioso na ambição de mais... muito mais do que estas lágrimas de palavras podem trazer... e o passado não volta, não se pode mudar... por muito que lágrimas caiam...

Caem lágrimas de palavras que fazem sentir bem, um aconchego das memórias traz calor e protecção, enquanto na realidade é um gelo, a céu aberto, só...
São palavras que se esquivam e preferem morrer em mudas desilusões apesar das mais absurdas... são palavras que choram lágrimas que ecoam nas avenidas da saudade quando a verdade se declara e que magoam afectos que moram que não saem que morrem mesmo antes de nascer e outras que amparam quem perdeu a razão de viver...



Gotejar... as lágrimas ofuscam o que passa, o que deixam passar diante dos olhos... oportunidades fantásticas que poderão jamais voltar... apenas mais algumas palavras para juntar às tantas que conseguiram encher um mar... palavras que têm poder suficiente para elaborar um texto... comum... como por exemplo este...



São palavras que caem... são palavras que choram...
Posso não impedir que a lágrima caia... mas vou estar lá para amparar a sua queda...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

TENHO TANTO QUE DIZER...

Não sei onde romper... mas com pequenas palavras muito se diz... e é de baixo que se começa a subir...
Num passado, não muito distante, foi assim... o bastante... pequenas palavras exprimiam grandes sentimentos, guardados num pequeno caderno amarelo multicolor... alheio aos outros... foram palavras, pequenos versos soavam a letras de músicas da rádio...



Tinha tanto para falar, tanto para explicar... mas... não quis, tive medo, sempre vivi mo medo, do que podias pensar ou dizer, com reagir... ah como queria voltar atrás e arriscar tudo por tudo... seria diferentes, deixaria de ter medo, e saberia como é quando me odeias, quando sofro, quando estás perto... daquela maneira que só tu sabes... pelo menos seria feliz por que teria conhecido, daquela maneira que só eu gostaria de conhecer...

Decidi escrever-te... mas a caneta recusava-se a escrever, quando te sentia mais longe apesar de estares sentada a meu lado... quando vidas se cruzaram, e as nossas estrelas do espaço, sabem onde é eterno... neste amor tão apetecível, desde instante que te revi... porém, sinto-me livre... tristemente livre...

Não terá sido opção ou capricho... simplesmente do que trago no coração, foi grande... não sei bem o que fazer nesta vida complexa...

Vejo-te passar, e um sentimento sincero, por saber que não posso estar contigo... emerge...
Não posso estar sem ti, talvez possa apenas ser amigo...
Amo-te com toda a minha alma, e depende apenas de ti... e de mim... aquela decisão que é algo mais que eu, algo mais eu queria, espero... algo mais... como temo...
Observo a carência do teu perfume, do teu olhar dos teus abraços, teus lábios a abordarem os meus, a tua presença, algo dentro de mim... sinto falta de ti.

Se te aproximares de mim e exprimires que me amas eu não saberei o que te falar...
Mas... se chegares até mim, e proferires que me odeias... poderei não saber o que te dizer... mas as acções... que fazer... talvez saiba...ou talvez nada faça... porque contrário do Amor não é o ódio, mas sim a indiferença...

Posso ser um anjo amigo, um anjo da guarda que te salva dos incertezas, e que ao mesmo tempo me ama...
Se me auxiliares, sorrires para mim... sorrirei também... serei capaz de te ajudar, sem te deixar... se me deixares... porque o meu amor é imenso e não te abandonarei!


Ah como está triste este dia... Frio, vento, e ma solidão me aqueço, sozinho, nesta imensidão do vazio... repleto de pessoas... este rascunho, imagem é real... já vivida... que espero nunca mais voltar a desenhar...
Percorro os meus sonhos, lentamente, o meu mundo ideal, Onde vivi, temporariamente quando a tua ausência foi total...

Foi uma ausência dolorosa, como todas são... mas és dona do meu sentimento... em que sei que a distância traz a saudade e nunca o esquecimento... mas cala, por breves instantes, este tormento...

Porém eu tenho que esperar... é muito tempo sem te ver, mesmo naqueles que não estão à espera... logo na altura que agora impera... em que o amor acaba por vencer muito mais que qualquer um...


Quando, e se a minha hora chegar... se deixares, saberás o que significa realmente a palavra Amar...