sábado, 18 de abril de 2009

Ela chorava e fazia chover

Lá fora chovia. Ouviste chover. Estava escuro e estavas sozinha no quarto, não vias nada. Será que vais ser sempre assim? Naquele dia ali deitada... eras uma mulher feliz... Ou pelo menos pensavas ser... porque tinhas tudo o que uma mulher desejava...

Será que isso foi real? Ou apenas uma ilusão? Só tu saberias responder...
Talvez, mas querias mais, como magia fazer flutuar, deixar os problemas e sonhar... querias ser como o vento... o vento que sopra nos cabelos, a flutuar no ar, com liberdade e beleza... sonhar sozinha, e sentir o carinho do mundo, como o vento... vento, que contorna o corpo sem ferir, sem sentir...

Mas como vejo, foste embora e o vento acabou, nada mais ficou que a brisa para soprar toda tristeza e mágoa no rosto... a brisa que fica em movimento, ela que tira as mágoas e faz sonhar, longe, onde o vento não vai...
Querias ser o vento para poder tocar, para poder sentir, sem magoar ou agredir...

Mas foste embora sem saber como é sonhar um sonho verdadeiro. Avançaste sem saber o que é voar em delírio. Foste... sozinha...
Tencionavas deixar a marca da passagem intencional... de carinho que não percebeste que estava em ti... que o vento não deixa, que o vento não faz... sem dor, sem sentimento, sem cor...

Fecha os olhos e vê o vento... ele não chora a tua falta... quem chora és tu porque o vento parou. Seguiste em frente e deixaste tudo para trás... mesmo TUDO...

Uma tristeza sem fim, dentro... o coração batia como um relógio num sentimento de calafrio... dentro do ser, esta dor, tão forte...
A mente que desapareceu no infinito... vazio dentro do corpo, não sei explicar...

Quem teria inventado a lua? Porque é que me fascina tanto? E de repente percebi que não eras tu. Não podias, como era possível? Era apenas ela. Chorava... chorava muito…
Porquê não sei. Mas chorava. E por isso chovia. E depois, em vez de me ver, vi-te a ti. Eras tu! Lá no alto, por entre as estrelas, choravas e fazias chover.



Querias voar, voar, voar... querias sentir, sentir... queria apanhar, essa liberdade de viver e ser livre no tempo para te soltar, libertares-te das amarras da vida e... ser livre de voar pelo mundo...
Ai, como eu queria ser assim... poder dar fim a esta dor que queima...
Mas não esperaste. Soltaste a imaginação e perdeste-te nas correntes do vento...
Fizeste marcas que não doem mas que ficam para sempre...

Estava longe… e tu choravas. E o único som que se ouvia era o barulho da chuva.

Lembro-me ainda mais de ti. Porquê? Será que vai ser sempre assim?
As forças estão a acabar, não consigo lutar mais por uma pessoa que me magoou... Por uma pessoa que não sabe o que é amar.

Afinal continuavas de pés bem assentes na terra, continuavas deitada e vias chover da janela do teu quarto escuro, frio e incrivelmente vazio sem mim. E choravas, ao ritmo da chuva...

Mas por ti, até o vento vai parar de soprar. Aí e só aí tu voltas, e esqueces. Das alegrias, das risadas, do carinho que o vento te fez.

Adormeceste a chorar e a ouvir a chuva, que era afinal o choro da lua, que eras tu. Choravas e fazias chover e tudo porque estava longe. E embrenhada na escuridão do teu sono sonhaste comigo, sonhaste que estava contigo...

E assim nesse sono estava perto, sempre perto de ti... como o vento...

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