quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Vives na ilusão

Não há filosofia que contenha alma que comanda o amor, e ... assim, é o viver na ilusão...
Como não há filosofia que explique de forma definitiva o amor... ninguém se importa, nem para as dificuldades, nem para as adversidades... para a vida ou para tudo o resto... Mas, às vezes, falha e leva-nos ao engano que produz saudade, desilusão e dor...
Se por acaso quis a minha sina neste mundo que versos escrevesse... é culpa dela, não minha! Não fui eu que quis... por isso não escrevo...apenas faço o que acho certo, que me faz sentir bem...

Passamos por momentos de felicidade plena nesta misteriosa, inexplorada, vida... Momentos estes que nos marcam de uma forma surpreendente ... nos transformam, nos comovem, nos ensinam e muitas vezes, nos magoam profundamente...
Há a individualidade, cada um tem a sua personalidade, o seu subjectivismo, as suas dúvidas... que, às vezes, impedem fluir a verdade... assim, é a vida com a sua imperfeição, assim, é o viver na ilusão...

Como eu queria ser vulgar... Rir sem vontade...sem me importar do que pensam...lançar no ar mil melodias que percorrem os ouvidos e os sítios mais recônditos do pensamento... e brincar com a poesia... fazer troça do amor... Ah, que feliz eu seria!

Mas em vez disso tudo, imagino... uma viagem que quero fazer... e que tal uma viagem sem fim? Sim, uma viagem para fora de mim... para conhecer outros lugares, outras paragens... ver para além daqui, do meu habito inútil.

Estás a imaginar?? Então continua… porque vivo na ilusão do olhar... de contar um dia as aventuras do outro lado do mar... onde nunca tive coragem de ir...
Quero voar, ter asas, ter lugar... Vivo na ilusão de um sonho ou ainda de uma miragem... quero valorizar o ser e a vida, só eles nos dão a possibilidade da possibilidade... ainda que improvável... de um sonho... a verdade por trás de um olhar, a leveza de uma vida, pousar a magnitude da sabedoria... e... ninguém quer ver...

Conto as conchas do mar e sussurro o ruído que fazes ao caminhar... Contas histórias de encantar... poeta das ideias e contas mais ainda de ti... do sabor da pele a sal... devaneios e loucuras, contas os dias que passam e as horas que não passam...
Contas também… contas-me ao ouvido o teu espelho e as coisas perigosas do mar...

Observo a vida e começo a recordar todas as pessoas que já passaram por aqui, e o que cada uma deixou... ou estarei eu à procura da minha própria identidade, que foi construída aos poucos, de momentos que aconteceram... e que ainda hoje interferem no meu caminho...

Assim, tudo o que posso pensar é que existe um destino, em que cada um encontra aquilo que é importante para si mesmo... ainda que as pessoas que entrem na minha vida, aparentemente, não me ofereçam nada, mas elas não entram por acaso, não passam apenas por passar...
As pessoas que entram na nossa vida... sempre por alguma razão, algum propósito.
Encontram-nos ou nós é que as encontramos, meio que sem querer, sem data ou hora marcada...

Presto a necessária atenção, em todas elas... e vivo na ilusão... da brisa que arrefece o ar, que se quer gravada... na neblina libertina sobre uma imensidão líquida tão só... de lembranças passadas, algures num navio que nunca ninguém viu...

Um espelho polido... por vezes remoto reflecte vidas dissimuladas... pessoas dispersas na neblina da vida ... por vezes desprotegidas, por momentos, a vaguear sem marcas ou encalços... e eu olho-as nos olhos... olhos que me dizem para as deixar ir... para as deixar para trás... que o futuro depende do presente...

Consegues ver?... que sorte a tua... porque ninguém se importa, tanto faz... a vida corre mas não volta atrás... e vivo na ilusão... sem rumo sem destino... apenas em pensamento que me leve onde mais desejo ir...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Cavaleiro solitário

É tarde … longa a viagem na noite sombria …
Sou um escritor isolado … que cavalga nas ondas da escuridão em busca da inspiração perfeita …

As ruas desertas e frias … ainda que isso possa transpor centenas de sentidos … na agonia contraditória da busca do belo, simplesmente, é tarde … e a noite sem lua é companheira …


Sempre na esperança que a cada esquina o novo se renove e a lua brilhe para raiar o caminho … é tarde para queixar à alma a culpa, percorro mudo nos rastos do destino…

O sol foi-se, mas a estrada dos sonhos é longa … o vento, as tempestades … por muito complicado que seja … sou amante da noite e da solidão … E que procuro ainda assim?

Ainda assim, que tenho eu de sol? Carrego a vida que cresce porque existe … deixa-me calmo na minha jornada … e o que procuro? Afinal imaginar ocupa-me a mente … deixa-me assim … Só …

E se a luz, o que está dentro de mim se apagar …? As almas que estão do meu lado poderão morrer de frio … porque se desistir de um sonho morre um acto da natureza que jamais serei capaz de compreender …

Nunca tive capacidade para decifrar o motivo desta solidão... queria ao menos ver-te, falar-te... mas não posso voltar a sonhar, pelo menos para já, num dia, contigo e o amanhecer...

Eu ando nas ruas e só consigo ver abismos... abismos de homens e de mulheres... porque sou um cavaleiro solitário... proibido de amar... nesta vida onde não existe sol … só as palavras, e o silêncio … onde não há a hipocrisia de culpar … quem não tem culpa? … Ninguém tem culpa …


Será? Ou será que sou eu, cavaleiro solitário que percorre a rua, a transversal da vida, deitando assim a culpa da minha existência infeliz nas outras pessoas porque perdeu a coragem de viver? Talvez sim, talvez não... Talvez eu seja realmente uma existência infeliz. Mas eu nunca vou ser, o que os outros querem que seja, apenas mais um na multidão...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Choras sem querer … lágrimas de saudade …

Talvez porque o dia seja triste e encontres nele o olhar...
Hoje resolveste ser diferente, alheio ao mundo … não queres … mas não consegues evitar … recordar …

Pensaste ser eterno … tudo … sem dia para acabar, imaginaste que ias sempre ter o céu para não te perderes…
Quiseste acreditar no tempo como amigo … aliado … ser teu, todo o tempo…
Hoje acordaste e viste um mundo diferente … percebeste que tudo nessa vida depende só de ti …

A abundância da vida atira … dispara as dificuldades, e, inocentemente ou inconscientemente, não olhas as realidades …
Não olhas as águas espelhadas, não vês o rosto cansado! O dia é triste, talvez encontres o olhar … já passava de meio, chegando ao fim …
Abriste a janela, pensaste que o brilho do sol penetraria nos teus olhos… mas estavas longe … não reparaste, ainda era noite, e nem o brilho da lua buscava aquele olhar …
Querias poder dominar o tempo … poder eternizar os melhores momentos … desta forma seria melhor … ó se era melhor...
Sem ao menos perceberes, lágrimas escorriam, salgadas na face opaca …
Não estavas alegre … mas também não estavas triste, era estranho, porque não sofrias …
Verdadeiramente não sei… então porquê aquelas lágrimas, porque desciam dos teus olhos? Será que foi a saudade que veio visitar o este coração, ou um triste sentimento de desilusão? Não sei!!
Uma lágrima solitária, de saudade percorreu um rosto… na ânsia da solidão, um coração que não deixa de gritar por alguém...


Choras porque sabes que também alguém chora por ti … que não podes estar lá para consolá-lo, para secar essas lágrimas que nascem fundo …
Junta-as todas… as tuas lágrimas e as desse alguém, naquele choro mais forte que … que consigas matar essa saudade …
Juras, querer contê-lo, mas ao mesmo tempo sufocavas com o próprio soluçar…Foi nesse momento que paraste de lutar …

Lutar contra, apenas fazia cair ainda mais esse triste olhar … era tudo muito estranho...Quando percebeste já era dia …

Pensas em tantos dias, tantas noites que passaram juntos, e ainda assim poucos para a saudade que te esgota…
E choras novamente, de saudade de ti … choras por saber que não lhe podes tocar ...
Não te cansas de sentir a falta daquele calor … a saudade que sentes ... é imensa, o vazio em meio peito … maior que o oceano …
A dor que sentes ... por perder ... não tem fim...
Uma foto, traz um sorriso, que acaba com o choro, uma alegria que não tem como não revelar... Era só buscar no brilho do olhar!


Uma paixão contida que ninguém sabe, a imensidão que ela representa em ti ... Nem mesmo o teu próprio amor sabe dessa paixão ... paixão que é maior que teu próprio coração... É... descobriste o significado daquele choro que continha a tua própria alma ... eram gotas ... gotas de lágrimas de saudade que desciam sorrateiramente sobre a tua face ...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Pensamento submerso

O pensamento começa com a dúvida … somente na dúvida … em que o que sabemos é uma simples e ingénua gota e o que ignoramos é a imensidão de um oceano …
Julgamos eternas aparências de um mundo que nos engana … perdidos na comodidade arrependida, com lágrimas de crocodilo, da ignorância … é também preciso viver e não apenas existir … quiçá elevar no pensamento … pensamento submerso de ilusão e esperança …


Com a imagem trémula algures … ao longo do percurso …
Em que o dedos entreabertos definem imaginários e misteriosos contornos num pensamento submerso …
Neste sentir sem feitio, sem sinal … no correr da paz da tarde, num mundo de sonho … provavelmente a sensação do fantasma de quem costumava ser …

Afundar nos enredos da vida … no auge do "Ser" e mentir, mentir intimamente … glorificar verdades mentirosas do que se quer ou se tem medo de ter …
Escalar pensamentos íngremes e escarpados, viajar na suave e extensa memória do jamais voltar a ter, tropeçar em recordações das quais há saudade … dias que não voltam atrás … oportunidades perdidas … inconscientemente … mas conclui-se ao percorrer na íntegra, criando no tenebroso imaginário a Tempo Encantado do Anoitecer, infinitos tempos irreais, pura ilusão de sonhos e sentimentos não esquecidos!


Alucinar no sentimento … com esperança de esquecer o medo …
Na angústia da dúvida que a razão atiça a cada circunstância.

Um arco-íris duma cegante luminosidade no caminho resplandecente … abre a bruma, e vai lentamente espreitando… à medida que o Sol vai fugindo …
O fascínio misterioso dum pôr-do-sol à beira-mar encoberto em segredo, talvez um leve palpitar no mais dissolvido Ser, algo que vai para além daquilo que é preciso acreditar…




Desfocados contornos humanos vagueiam, em sombras assustadoras … parecem figuras de lendas sistematicamente contadas ao escurecer …
Uma voz, leve, chama … suave, diz para escutar o inconfundível e maravilhoso mar, que transmite paz … num longo trajecto matinal … o melhor amigo … melhor conselheiro...

Especular o voo das gaivotas, supor o seu destino … se têm medo de voar … ou será que algo as preocupa … concentrado no sistema circundante, ficar a voar com elas para longe, a linha do horizontes, o limite sem limites … e pedir que o momento não acabe…

Ofusca o fim do anoitecer, em regressão ao habitual pensamento, comum… submerge … dum caminho, duma luminosidade, duma bruma, e vai lentamente espreitando sem querer olhar … deixar um adeus à quietude, à paz profunda … pairar no ar num último voo sublime … de espaços infinitos … no fim sem limites, sem vedações, sem muros, sem fronteiras …





Mas … existe um mundo á volta … e … ao olhar em redor no vastíssimo areal, amarelo-torrado, de razão que se ausenta suavemente engolido pela força do mar, da rotina no poente … vagueando, pé à frente e atrás, sentindo a plenitude … não passamos de mais um estranho, um simples desconhecido … que caminha só … acompanhado pelo vento, acompanhado pela solidão … um livro, que ninguém se digna a ceder um leve e curto sopro para tirar o pó … que ninguém quer abrir … folhear … deixando apagar as páginas de uma vida, momentos … afogar sentimentos … afundar pensamentos submersos …

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um canto perdido

Perdido em pensamentos, momentos … sinto-me só, na multidão … Amar o perdido deixa confundido este coração.
Uma certeza … ou incerteza. Não pertenço aqui … surge essa dúvida. Onde pertenço afinal?

Ando meio perdido, apagado, meio encontrado, à espera que alguém me encontre…
Se alguém encontrar … em parte alguma perdido, é porque a parte encontrada … dorme … a parte perdida vagueia algures.

Nada pode ir contra o sem sentido … apelo do Não.
E no fim de tudo, não é estar perdido … nem perder um grande amor, mas sim descobrir que nunca se foi amado.
Lembro-me de momentos … perdido no eu … no canto da memória em que o amor não tinha tempo para acontecer. Só acontece uma vez, e não acaba, porque se achamos que ele já aconteceu e lamentamos por tê-lo perdido … é por que ele nem começou…

Existe a casa do tempo perdido… talvez escondido…

Aproximei-me e bati no portão do tempo perdido, mas… ninguém atendeu…
A segunda vez mais forte … e mais outra e mais outra, sem resposta figurada…
Uma casa do tempo perdido coberta de trepadeiras, não toda … talvez metade … enquanto a outra metade era pó cinza.
Na casa não mora ninguém, e eu batia e chamava pela dor de chamar e não ser escutado … Simplesmente bater.
O eco profundo devolve-me desassossego de desassombrar essas passadas de indiferença quando a noite e o dia se atrapalham no esperar, e no bater e bater.

O tempo perdido certamente não existe … e eu … ali a bater naquele velho portão… É o casarão vazio e condenado.

Vejo o sol à superfície, é uma laranja idêntica, deve ser o nascer do sol. Um mar de lágrimas envoltas numa mantilha branca de nevoeiro com sensações e pressentimentos. Tenho saudades do barco, de estar no mar, longe, de olharmos as cores do Sol…

Era um canto só nosso onde mergulhámos em conversas, flutuámos em sentimentos … emoções … apesar dos vários mergulhos feitos por ti para me recuperar … Mas a meio do caminho afundo-me de novo, uma vez, e outra e por aí além. Não mergulhes mais, não te molhes por mim, fico para sempre guardado no mundo sem cor e sem música, vendo os raios de sol a bater na superfície.

Não quero voltar … olha, existe uma cidade, além, perdida no meio do oceano, dizem que é Atlântida, a cidade perdida. E assim é como me sinto, tal como a cidade, também eu me sinto... perdido.

Contudo existem muitos cantos perdidos por aí … não tão perdidos quanto eu … onde me conquisto e devolvo ao mundo real … que me frustra e faz regressar ao que menos quero ser … alguém perdido …