sábado, 26 de novembro de 2011

Escritos que desaparecem

Liberto a caneta e o papel do seu escravo destino. Rasgo os meus gatafunhos mais arcaicos… e os mais …atuais…
Tal como libertei, um dia… gritos mudos, escudos do sentimento que explodia.
Vou desvanecer nos meus escritos… nas minhas juras, nos meus gritos.

Meus cadernos que outrora ficariam eternos, já não existem!
Pequenos grandes desafogos resistem… na tradição de esboços verbais, exíguos versos banais.

Metáforas e mitologias, preferências e categorias… de textos que escrevi.
Lamento terminar assim… mas tudo tem um fim…

Um dia alguém me chamou, de poeta… Aquela sensação inqueta, não se fez rogada.
De forma insperada, mesmo cansada no fim do dia … sentia … orgulho e reconhecimento. Mas foi o momento.

Apenas isso. O ter sido… o compromisso, o pedido, rejeitado… ignorado...

Um dia quis ser poeta! Quis ser maior que a lua…
Comecei de forma descreta e num verso desenhei a rua…

Descrevi mundos e universos… movimentos e amores dispersos.
Mas poderá o poeta ousar… querer com palavras desenhar, ou até acreditar… nas vidas que acaba de contar!

Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor….

É certo que o longe está mais perto do nunca.
Eu gostava de ir longe… ir mais além… mas falta alguem.
Alguem que não merece.
Alguem que não se esquece.
Alguem… que pense que a vida só é vida, quando é vivida por duas vidas, numa só…

Mas hoje… essa tua boca com quem tanto sonhei, hoje negou-me um sorriso…

Bardo! Acaba com a desilusão…
Acaba com meus assentos, poemas e pensamentos.

Deixa fluir o tempo, o segundo… a multidão.
Dirão que não estou… Dirão que desapareci…
Nunca te lembres de mim… porque o dia que te lembrares é porque um dia me esqueceste.



“Todos nós precisamos de alguém que precise de nós...” - Joice Lemos.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

As noites em que não durmo!

Dormi um bocado… cansado por fim…

Perdi-a… Uma ternura imensa…
Descontentes? Talvez. Paramos ao largo na baía! Oh… como queria que fosse um devaneio!

Cabelos ao vento oscilam como as ondas num dia de praia absoluto, na manhã fresca e luzidia. Fios de ouro enrolam-se entre os dedos esguios, resvaladios de suavidade, Ah que vontade…

Apartar me mim o desejo … resplandecem os espelhos semiabertos da alma, do olhar…
Sorriso maroto, face rosada, envergonhada… quente … suave …

Teus dedos deslizam com os meus, enlaçados num só, para o que der… e vier.

Intentei querer o que não podia …estar ao teu lado. Feliz? Não sei. Só não me deixes dormir …

Sonha comigo, sonha por mim…

Ao acordar sei que vais contar … contar comigo… contar por mim… contar os sonhos que desfrutámos na noite que foi nossa… seja em verso ou em prosa …

Quero experimentar tua mão novamente … tua pele … suave e macia. Todos os dias… qualquer dia.

Perdi-me em recantos estranhos… tamanhos pensamentos recônditos… sucumbi ao desânimo decimal…

Os nossos instantes juntos … tuas mãos entre as minha, fortemente contra as minhas… a maré, que sempre volta. Podem até surgir obstáculos, invejas, intrigas… mas…

Sem regressares, acordas-me…


Emudecidos, por um século. E teus olhos disseram que não parti… eu sou do vento… tu é das ondas incandescente destas águas… és o tempo.

As pessoas não acreditam… porque do sono se fez prosa… o mais bela rosa que guardo para ti…

Para que em cada amanhecer eu me levante…
Não me deixes dormir sem nada dizer. Num simples olhar, um simples … um já sabe o que o outro quer… gestos que vêm e vão, mãos trançadas, enquanto caminhamos…

Deixa-te ficar … lado a lado, frente a frente, olhos nos olhos… sorri e deixa-me sorrir contigo, quero ser mais que um amigo…

Estalamos nas ruas … e em silêncio nos contemplamos … deixa-me sonhar…
É a única coisa que falta para a minha vida ser perfeita!

Duas pessoas … uma só…
Partilhar aventuras e desventuras … segredos e curiosidades.
Curta a noite que seja longa. Ver-te adormecer … encontrar-te … pestana a pestana. Sorri baixinho, esse carinho envergonhado. Quero-te.

Não durmo…

Sinto que as pessoas me olham … de lado…
Se hoje sou esta pessoa que venceu na vida… ou que se perde… lentamente…
Devo tudo a ti…

Guardo as palavras que me dedicaste, a carta que me deixas-te… o adeus que nunca disseste. És a motivação que tenho. Encaraste a vida de frente…

Solta-se a brisa entre janelas … nos últimos raios do dia.
Recolhem-se comoções, partilhados num último adeus … olhos nos olhos, acanhado coração saltitante, findo sorriso marcante. Esperar que a distância seja curta … que devolvas o sorriso que me roubaste… o meu coração …

Pois o melhor de TUDO, eu não tenho … e és tu…

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Seduz-me

Seduz-me uma e outra vez…

Voz apaixonante do ser…o querer…
Faz crescer o sonho e a paixão. Aquela sensação…

Aquele teu olhar que faz envergonhar o tudo e o nada.
Loucamente quero tocar-te, alcançar-te o desejo… porque invejo o teu sorriso, malandro e maroto… outro… diferente de outro qualquer

Timidamente, quero conhecer-te.
Quero conhecer o teu jeito de falar… verbalizar o teu jeito de querer,
Apaixonar o nunca e odiar o sempre…

Como um estranho e vulgar anónimo… tão próximo e tão longe… de te conhecer… de te seduzir… de me seduzires…

Tenho momentos, angustias e omissões,
Espelhados em canções...
Antigas, que pernoitam na rádio que costumavas ouvir…

E,
Mesmo que digas que não é novo,
Envolvo o mistério com ideias e sensações … estranhas e deliciosas seduções…

Embora sintas e mintas … digas que não vês… que nunca me viste… que nunca sentiste…
Então … antes que negues a verdade… a mais pura realidade …

Deixa-te seduzir…
Seduz-me …

Estou aqui … e quero conhecer-te…

domingo, 13 de novembro de 2011

Ó Mondego...

Libertei o olhar pensativo… dissipado nas margens… entre o rio… Na madrugada quase chegada… suave e fresca…
Águas prateadas iluminadas pela multidão, na vastidão do noite… deixei-a ir na penumbra… aquela sensação de… deja vu… o reflexo da cidade espelhado na neblina…

Quem sou eu senão um grande sonho… Quem és TU?

Soltei o olhar dos pensamentos na água … cristalina, sublime… que se devasta à frequência das robustas claridades… dos projectos e encontros… ou desencontros…
“ Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino”…

Quero ser o teu futuro… mas não consigo… não consigo ver para além de … estranhamente de TI …

Visão prévia dos encontros e dos sonhos… rio que sou em indagação do mar que me apavora… rio que revejo… que ofusco… a estrela parada nas águas de hipocondria…

Olho a paisagem pela primeira vez… a qual me é familiar… o gesto normal de um simples… despertar… mas a curiosidade é maior. Foi livre e belo esse olhar … peculiar… misterioso… surgido do nada… nas margens do rio…

Eu vi… algures no sonho mais faminto de realidade meu desejo iluminado… as margem daquele rio …

Ó Mondego … podes tu impedir o viver … as minhas ilusões…

O eterno partir, da minha vontade … enorme… de ficar. E agora a quem respondo … senão a ecos, a soluços, a lamentos…à tua vontade… companhia … carisma… aqueles belos instantes, que se mostravam pela quase madrugada… luz que se afunda na paisagem… no leito do rio…
Que o tempo vai apagando… dizem muito… mas, existe sempre um mas… que veio do tempo … e ainda vem.

Uma dor que atravessa a alma… rasga o peito e sobressai naquele olhar…

Denego expor o quão suporto… o quanto me desarma … a tua ausência… quanto de quanto foi dito … ou do que ficou por dizer… da saudade…

De TI…

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sorte ou Azar? Dedico-te estas palavras…

As tardes mornas de domingo e as noites frias de segunda… porque me inebriam?

Aqueces as formas mais sorrateiras… quando a Alma de negro se veste da forma mais patética, porquê? Não sei...

Dedico-te o que me faz querer… seres feliz, do pouco que conseguimos dizer ou escrever... termino e recomeço…

Não sei...não tenho explicação pelo facto… ah … o gostar de ti...

Não sei porque te escolhi… Azar ou sorte? Ou algo mais…

Deixa dizer-te os lindos versos raros… que escrevo e reescrevo.

Esqueci a caneta, rasguei o caderno…literalmente… centenas de milhares de palavras perdidas … lançadas ao vento atiradas da ponte. Talvez os peixes saibam ler…

Não sei porque te vejo…

Liberta-me… das tuas migalhas, do perfume que deixas…

Passas, diariamente por mim… e desejo-te, e quero partilhar … na esperança que sintas o mesmo… Sorte ou Azar? E dou por mim a desejar teus lábios.

Porque te sinto…? Com tanta intensidade...?

Fechei o meu sorriso das promessas e da poesias … arrogante, insinuante… o reverso do meu poema…

Mas hoje! Só hoje, guardo os versos, rabisco o rascunho, com uma estrela talhada de luz… pela paixão que não te dei…

Dúvidas e certezas, na manhã mergulhada em suave esperança…

Apenas para te dedicar... os mais lindos que te fiz, versos… versos que não rimam … que não fazem sentido… para alguns… talvez para ti …

Diz-me tu… Será Sorte … ou Azar

terça-feira, 1 de novembro de 2011

E eu que não sei falar de amor ...

Existiria impostura se eu murmurasse, ou ela, que a vida pode querer uma paragem para ponderação... Todos os dias, todos os segundos…

Poeta agridoce… sou feio apenas aqui dentro... verdade… penso com medo na tempestade, é possível? Que de apegos me reservam… os momentos que faz dela uma batalha… será que tem mesmo essa capacidade ou é só… utopia…

E chega o dia em que o coração acelera.

Então no meio da desordem penso em buscar um refúgio… após quebrada a linha entre a paixão e a razão…

E não há nada a fazer
Não sei falar de amor …
Então… escrevo … recito pequenas frases para ti …
Palavras que não podem socorrer um coração enamorado.

Mas eu tenho mais que mil… mil poemas de amor … que descrevem com perfeição tudo sobre… tudo, ou simplesmente amor.

Não sei falar de amor,
Não consigo descrever-te… talvez não seja possível… não existem palavras no dicionário que o consigam fazer…

Espalhas intensidade por onde passas e é difícil dizer, a esse poeta que… que fala de amor, dor, sofrimento, consolo...

Bardo absoluto… embriaga minha alma, minha vida, meu padecer.
Como arriscaria nesses teus poemas ouvir … em minha alma, o que meu peito diz…
Sobre ti.

Ouve somente … e nada digas, mesmo que o consigas.
O que sinto é distinto… é algo singular… é mais que a rosácea, do que teu aroma…

Sem reprovas com um afecto tão puro no dom de amar, e criar…

Ver em infinitos vocábulos a sensação de liberdade … sem limites…
E agora…

Que faço com minhas promessas… se não sei falar de amor…

Digo apenas que sinto saudade, felicidade, orgulho, quando na verdade gostaria de dizer muito mais…