segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Antes que o dia acabe...

Resta ainda tudo, antes que o dia acabe, os acórdãos da suavidade…

A sonoridade ressoa nos pensamentos, entre rabiscos e sentimentos… ecoam as palavras ou reflexos de tormentos que convertem o desalento, empurrados pelo vento… o meu coração é oco… à incógnita vastidão de emoção … do muito pouco… este exílio de tudo…

Quando dói a alma, a calma pouco importa realmente à dor… a cor do fôlego do meu impulso vítreo... Pesa em mim o olhar aéreo, ignorado como se vivesse o meu destino … nutri aquela anosa necessidade, vontade de … há quanto tempo não desenhava...

Gostava de murmurar tantas coisas ao jovem amor que se presta, mas não presta honra ou sensatez, como daquela primeira vez … prefiro sorrir à certeza de sentir… à vida que me sobeja agora… dissimular tudo lá fora… abrigo-me de ti, e de mim nem sei…

Antes que o dia acabe, quero viver a minha sina, rogando aos céus lucidez… no sonho real… em que as sinto o teu rosto…

Revolta-me o bem-estar da ignorância … na teoria, nutrir-me o desenho, do espelho de um tempo… sinto o perfume da tua pele e …revelo saudades daqueles tempos, o sentir da loucura, na frescura matinal … Apenas fechava os olhos, e deixava tudo para o papel.

Fixei de mim toda a ilustração, ou em ti … o cabelos luzidios dos primeiros raias de sol … mais leve que a o plano transparente … rabiscava tudo o que sentia… por vezes vazio … ou a mais pormenorizada paisagem do olhar que agora me é distante.

Retomo o sorriso no teu rosto, ocultos os olhares alheios, em noites forjadas de emoções, … e nada mais importa … não me importa que seja a chuva, algo que te traga, ou o vento ou a alvorada, brotando num quadro de bruma, e que o nada é o teu rosto, que me enche a paixão como se fosse ontem, recordar, sonhar num espaço, curto para alcançar antes do fim do dia …

Então… meus olhos quiseram abrir… daquele meu encarar fechado, antes do dia acabar… o magro invento de um sonho. Liberei o lápis… leve de tão leve, até hoje, mal o notei... E quando vi, meus desenhos já não estavam…

Foi... Nem sei…

Quem fui eu um dia? Quem seria aquele adolescente sentado nos gélidos degraus … o vão de escadas, gastas! Recolhi outra folha… empunhei o lápis… E... decerto, sei, apenas quero esquecer…

“Sentado na escada … rabisquei o teu número num rasgo de papel que mais tarde varri na incerteza de atenderes…” DF.

Antes que o dia acabe…

Quero recordar o mão que me deste… o sorriso que lançaste… a beleza que espelhaste pelos corredores de multidão … Ahh que vontade de descontinuar o tempo e retroceder até aquele dia, o único em que fui feliz … antes que o dia acabe…

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