quarta-feira, 16 de junho de 2010

Um jovem frustrado poeta

Como comecei, como argumentei a primeira frase, se calhar era uma fase… não sei… foi um simples escrever, um breve esconder de sentimentos, os melhores ou piores pensamentos… pequenas versos sem sentido, como se nunca tivesse lido, alheios a outros, pensamentos loucos… comecei a escrever, pequenos textos que ninguém quer ler, a princípio pequenas palavras, rimas ou versos ao som do rádio a tocar... não havia nada que enganar…

Uma vez eu fui jovem, agora estou a ficar “velho”…

O prazer nos meus escritos, nunca gostei de mostrar… não fosse alguém gozar… Eu falava sobre o amor sem nunca o ter vivido, sentido vergonha de caminhar contigo, poder viver verdade no que digo…

Hoje já não rimo nada, como aquela frase inacabada, linha de texto que ficou por finalizar, talvez não a queira terminar… mas eu era um poeta…

Como podia ousar eu em achar que podias por um momento estar, a pensar em mim?

As coisas vão evoluindo, ou saindo lentamente, e quem me dera ao menos por uma vez ser digno, de cessar o que comecei… a vontade de viver que não agarrei… e … com o tempo fui escrevendo de um olhar doce partido de ti… as mais críticas frases que escrevi…

Hoje não escrevo mais poemas, falam-se de temas que são da minha autoria, diria que o subconsciente, não tão pouco sente como escreve… momentos que não deve…

Esta escrita pode surpreender, para quem a compreender… ou só a ti, mas se calhar não, porque as brisas começam a sair as outras que já começaram a desaparecer… iniciou o entardecer… até ao escurecer…

Foi tão bom voltar a ver-te, tocar-te, após todos estes tempos passado... cansados não, talvez não… após todos estes meses…. Também não… porque já passaram anos… Anos que não te vi, mas… foi só um instante, distante num segundo, e nesse instante foste tu o mundo!

Depois destas letras, será que te vou voltar tocar, quero-te encontrar? Não sei! Só quero que me respondas, que não te escondas em entrelinhas e páginas concretas…

O primeiro a chegar foi aquele sorriso que se perdeu nas letras do olhar! Ah que inveja essa desse olhar, de não ser meu, pois outros têm ou procuram o seu…

Mas eu dizia-lhes que não sabia, de quem era esse olhar num brilhante lacrimejar, porque eu dizia que não conhecia e, às vezes faz falta… o teu olhar... o gritar dos corações e o teu andar... no dançar das emoções!

Foi esse o dia em que a paixão passou por aquela pessoas que em mim existia...tenho saudade e, faltas tu para que a esteja completa e imagem que pintei num sonho em que quero voltar a ver-te, dizer-te… será?…

Mas entretanto sinto-me frustrado… e escrevo pequenas ilusões, nas sensações de um fantasista… um artista dos versos das rimas que não se deixam escrever… sou apenas mais um, mais um dos poetas… um jovem frustrado poeta…

sábado, 29 de maio de 2010

O DIA EM QUE APRISIONEI O MAR

Olha… circula o horizonte em teu redor… e diz-me… Mudou alguma coisa?

Saúdo a matina, espelhada numa estranha rima nas ondas relaxantes da manhã. O azul multicolor do céu rasgado pela estrela brilhante do dia, uma amarelo relaxante… quem diria…

Pouso um pé, e alargo o outro… nas pegadas frescas da manha… onde o rasto é dos primeiros ao raiar… solto no caminhar… onde fui, onde não estou… dezenas já estiveram… mas não… não deixa de ser diferente, a memória de saudade carente…

Então quando tudo terminar, e nada mais restar… Sorri… Sorri e vai mentindo a essa dor, quando a saudade atormentar no teu sonho encantador, nos teus dias tristonhos e vazios… simplesmente … Sorri

Pregado na pequena teia, aquela ideia de datas e lugares, vulgares a tantos… talvez a ti também… mas eu fui mais além… aquém das memórias e histórias de quem quis, num pequeno longo dia quis ser feliz… naquele lugar, o bater das ondas à beira mar… o toque da areia lisa… o sentimento de uma brisa…

E o dia permaneceu… lento, lentamente curto…onde o relógio não toca, onde sou aberto, liberto da preocupações, das acções demoradas na neblina das datas banais … mas à décima sétima hora após a meia-noite, num gesto como que arde, aprisionei o mar… que não consigo tocar, sem receio… no anseio de lá voltar e recordar, vivenciar o dia em que foi meu… o mar…

Mas a tarde ilustrada no perfil, a luz do azul naquele mês de Abril… concentra-se na sua densidade, e a juventude adensa-se na tarde… e resistindo à saudade, tenho o mar aprisionado… um resto de sentimento sonhado… agrava, ao lume da ferida no pensamento meditar até que um velho diga que está na hora de o largar, o mar, na memória, é parte da história, na claridade em que o mar se deixou aprisionar…

Voltei ao mesmo lugar… ao qual me senti indiferente… a questão pertinente… a saudade não era do lugar… mas teimei em lá voltar… mas nem todos voltam… nem todos vivem… nem todos aprisionam o mar…

Olhei no profundo, segurei o sentimento do mundo… e soltei-o… o meu triste anseio de ter o, para não voltar a sofrer, soltei o mar que não era meu… que na extensa areia se esvaneceu…

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um sonho bem real

Numa folha outonal, leve e suave vendaval, leve, como se todo o vento neste alento suspendesse a eternidade, mísera saudade, como um sopro de vento, atento, que entrava pela janela, como num quadro de aguarela, que embora semi-fechada, nesta pintura inacabada, suspende breves arrepios, frios.


Sem perguntas, sem nada falar, no teu estranho calar, voa num momento daquele pressentimento, num floco de neve real, completamente normal, que suspende a saudade.

Os arrepios em mim, quando a madrugada era anunciada pelo bater das horas do relógio na sala que ninguém o cala, que distante se ouvia!

Se nunca houve lamento, então o sentimento foi-se, se não houve fragilidade, naquela estranha tenra idade.

Respondendo com vaidade, não mais que álbuns de saudade, direi em alta voz, sem que se torne atroz, que surgiu da nossa vontade…

É esta brisa imortal soprada de nós sem ser vento das nossas almas…

Sem nostalgia nem mal, sem enganos nem medos, complexos ocultos segredos, sem lágrimas, sem segredos. Pela manha, um raio do sol invadia e sentia o acordar com um belo sorriso, não seria preciso, de 'bom dia', e minha mão, não, não encontrou teu corpo ao meu lado. Olho em redor, como se soubesse de cor, por todo o quarto, quando me apercebo pela noite, enganos da mente... Tristemente, desabafo - "Foi apenas um sonho"...

Um sonho, na esperança de um dia, ser real!

domingo, 10 de janeiro de 2010

Será que queremos ser felizes?

Será… será que queremos ser felizes? Por um pequeno instante que seja….
Às vezes pergunto-me, porque sonhamos e não conseguimos realizar? Por um pequeno sonho que seja…
Porque é que os nossos relacionamentos não correm como queremos? Por muito grande que o amor seja…
Perguntas… somente perguntas, de como queremos amar se não sabemos o que é amor, como queremos ser felizes se não sabemos que é felicidade, como sonhar e conseguir alcançar…

SÓ HOJE... é... a vida só dura isso! HOJE... estranho não é?
Pois… Mas continuamos com velhas as perguntas… presos a um passado…

O que fazer quando se quer falar e não se tem ninguém para ouvir?
Quando os amigos estão ocupados demais para te entender?
É, mais uma vez, vou escrever, procuro lápis e papel…
Outra carta, outra maldita carta, vou escrever, outra que não te vou enviar.
Agora… ah, o agora! Resta… o vazio!

Essa saudade, essa vontade de ter, o que eu não posso ter.
Que loucura!
Este sofrimento, que se prolonga a cada toque do aparelho ou a solidão que não passa.Feridas que nada pode curar… e este vazio, que nada pode ocupar...
Agora sei que o amor é… e a dor andam juntos.
Lágrimas desabrocham do coração, e banham o rosto … cada vez que mais uma lembrança tua vem...
Lágrimas que tu não vês!
Sofrimento que você não viste…

Mas Hoje… hoje é diferente… muito diferente…
Eu vivo a vida... ou melhor... agarro o hoje com todas as forças... embora algumas ainda escapem... ainda! Mas só por alguns momentos!

Hoje eu dedico-me aos meus amigos, hoje eu brinco, hoje eu amo a minha família, hoje … eu sou feliz! e... tudo isto apenas hoje!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Tempos Passados

Chove …. agora chove tão longe. Mantive aberta aquela janela … e chovia dentro de mim, chovia onde ia, afluía onde o pensamento é profundo...
Recuando no tempo, envolto no momento, regresso a pensamentos passados, talvez mal recordados. Refresco quem fui e o que pensava ser... e escrevo aliás… escrevi… quem fui...

Buscava o querer, de ser, de dar, de ter, de querer...
Mas sentia-me vazio vagueando como um rio, para onde ia… e nessa triste agonia fechei-me sem querer...
Queria sorrir, queria viver... mas o frio tomou conta de mim... tornou-me numa pessoa fria... alguém que ninguém queria… e, então o sorriso morreu, a alma pereceu junto a uma vida que evaporou …
Logo veio o anoitecer… e tentei esquecer, sem nunca querer ceder as mais breves histórias, profundas memórias que nunca aconteceram… mas não consigo... Já nada mais tem piada, nesta longa e estreita estrada…

Ficar longe de ti para mim é uma ameaça... esperar o que momento que passa
Aahh, como eu queria estar contigo, ai… que sonho tão sentido!
Será que algum um dia vais estar comigo??
Será que um dia vou estar… voltar a ser feliz??
Será? Essa é uma palavra que não me sai da cabeça, e o tempo corre depressa... e o hoje já não está… está longe…

E Agora… Será que pensas em mim? Será assim? Hoje estou longe... Não culpo ninguém, pois a falta foi minha... Foi minha, a responsabilidade da minha escolha...

Um dia fui atrás de um sonho que flui, num certo dia errado,
Quando o pensamentos era vagamente enganado…
Com todos os problemas, sistemas de confusão, amargos de coração… e para mim nada sobrou…
Para mim sobrou sim, um “não”, um “não” que jamais esquecerei, dum tempo que abandonei… um não retribuído ao remetente, somente um “não” que acabou com planos, anos de imaginação, sensação de desejo em retomar.

Retomar, e retornar à grande inspiração, sou o poeta,
Que sonha... que vive o sonho que é a vida, um simples poeta solitário.
O meu professor é o sonho, porque quero viver … talvez uma vida linda...
E pensar que um dia quis escrever como um grande poeta... a mais bela escrita...
Vivo na esperança de escreve o sonho... Aquele… de um dia ser alguém diferente... de mim….

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Algo Diferente

Hoje, das minhas palavras, não farei nenhum poema... história ou moral...
Apenas liberto o k sinto, o que quero dizer mas não sai... o que quero sentir mas não alcanço... o que quero ouvir mas não murmuram... algo sem dúvida diferente...
E a magia estava tão próxima...

Enquanto as folhas das árvores balançavam com o vento algumas pessoas conversam na calçada... porque a beleza deste mundo está nele, ser tudo diferente.
A sua beleza eterna... é bela porque é diferente da minha.

Quero falar sobre o que me tocou a alma e fez pensar sobre a essência da vida, as virtudes que devem ser exaltadas e as pessoas como merecem ser tratadas.
Cada diálogo de texto que envolva uma emoção estridente, diferente, com princípios silenciosos e claros, embora muitas vezes seja necessário ler as entrelinhas.
Trazendo velhos amigos aos meus pensamentos... por mais cansados que estejam os rostos... sempre que aparentem ser familiares...
Se fosse tudo igual bastaria olhar no espelho... e veria o mundo inteiro.
Se fosse tudo igual, o movimento não mudaria nada.
Se fosses igual a mim, que chato, quieto e sem piada seria.

A simplicidade com que os temas são tratados e a realidade fizeram-me pensar do inicio ao fim, e várias angústias derramadas.

Por mais velho que possa parecer também sou uma eterna criança... que quanto mais aprende, menos sabe sobre a vida...
Mas esse mal, que pode parecer a vida, pode facilmente ser transposto, um gesto de generosidade que muda tudo!
A verdadeira felicidade do mundo consiste em olhar em frente e percebermos que tudo está diferente...


Do que era há um segundo… e raramente temos segundas oportunidades…

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fases... serão?

Na vida tudo tem um início … meio … e fim
Estamos sempre preparados para o início?
Alegramo-nos com o novo … com o meio?


Se os sonhos não pudessem criar novos tempos … se a esperança não iluminasse cada amanhecer … se a cada novo dia não pudéssemos escrever uma nova história, a vida seria repleta de certezas…


Mas, a vida é cheia de incertezas… e sinto-me perdido no tempo…
Olho ao meu redor e só vejo injustiças, ganância, ódio, traições, tudo o que é de mau tudo o que desprezo …
Mas quando existe alguém como eu que procura novos amigos…
Alguém para conversar…
Alguém para sair…
Alguém … sincera e simpática…
Mas não encontro… Porquê???


E é isso que me estimula a sonhar e a depositar esperanças no amanhã, sabendo que, o hoje … é uma fonte inesgotável de possibilidades de ser feliz!


Vivo intensamente, Consumindo o dia… Virá o fim…? Não sei como agir e vejo-me refém e totalmente vulnerável…
Por isso busco o viver, percebendo cada fase da vida… dando tudo de mim, dignamente, ciente do meu papel… vivendo cada minuto com sinceridade, seriedade, responsabilidade, generosidade…
E muito amor…

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vou fugir

Pior que um vício …
Isto começa a tornar-se vício …
Sinto cada vez mais … que há dias em que mais me apetece fugir …
Para um sítio bem distante e ficar por lá … até ter vontade de voltar...


Um sitio para sair … fugir …
Um caminho escolhido por mim...um longo caminho sem fim…
Preciso de viver a liberdade que nunca quis sentir …
Penso … se o quero mesmo fazer … como e quando … acontecer…Uma viagem sem saber …o que poderá surgir … vou fugir…
Então …Vou ou não?Sim … Vou voar … para qualquer lugar …
Eu quero fugir para longe daqui … sentir como nunca senti…
Como hei-de eu sair se nunca sonhei …um sonho que nunca entrei …
Bem longe num sonho que é meu … sigo o vazio, frio … com outras pessoas … num outro lugar … Para quê desistir …fugir … sem sentido…Sei o que não poderia evitar
As desilusões …Os obstáculos …Os problemas …As complicações … Os desentendimentos …
As tristezas …
Que liberdade conseguiria a tal fuga … que procuro …
Numa nova realidade que quero conquistar … lutar … com o meu trabalho … e ternura...
Sonho com a descoberta do eu … sentir o que nunca senti … dizer o que nunca tive coragem de dizer … sonhar sem ilusão … levar o meu mundo … um mundo de sonhos pela mais pura das realidades …


Quero caminhar sem destino … o meu lugar … onde haja um novo começo … onde não me esqueço dos que me ajudaram a ser quem sou … porque um dia não fui … os sonhos que me levaram … conquistaram … … um lugar sem receios e maldades …… um lugar onde me deixo ficar sentado a olhar … o mar e a reflectir … a vida… … um lugar onde ferem com as palavras … para nos abrir os olhos…… um lugar que deixa tatuado no coração … palavras … Amor, Amizade e Paz...

Se eu fugir ...

Se me encontrares por aí … num lugar distante … semelhante a outro qualquer …

Entrega-me ao silêncio … chama pelo meu nome … ensina-me que o medo não é segredo … para a fuga dos piores pesadelos …Se me vires por aí … não me deixes fugir …mais de mim!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O fim de uma etapa...

Mais um ano que atravessámos, nem sempre glorioso ou vantajoso para todos. Temos a mesma essência... a mesma formação... o mesmo sonho... o mesmo propósito. Mas... as nossas reacções e comportamentos variam... demonstrando uma personalidade singular... simplesmente distinta... reconfortante...
...
Chegámos ao fim. Mais um ano cheio de expectativa, como se cada mudança viesse com um novo fundamento ou uma revolução milagrosa que pudesse transformar a vida como um artifício magico.
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O ser humano separou o tempo em dias, horas, segundos, meses, para estabelecer normas reguladoras dos afazeres. Porém tudo gira num perfeito equilíbrio... independente da nossa vontade e das nossas angústias...
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Mais uma etapa na tua vida que vences com sucesso! Mais um degrau que sobes forte e feliz!
Nunca desanimes perante as dificuldades e assim vencerás as adversidades. Nunca percas a fé nem a força... sê persistente mesmo quando caíres...
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Foi a despedida da instrução? Terminou um contacto? Acabou mais uma etapa? Hoje cheio de vida... a anunciar uma nova etapa, mais um ano de buscas e projectos... Uma corrida pelos sonhos, como se por ventura, o outrora tenha sucedido fora da essência da alçada por onde os nossos projectos fracassaram...
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Lembra-te de que existiu uma época em que podias viver sem aquilo, sem aquela pessoa. Nada é insubstituível... um hábito não é uma necessidade.Pode parecer óbvio... pode mesmo ser difícil...
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Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por arrogância, mas... porque... simplesmente tal já não se encaixa na vida...
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Encerra-se uma porta, muda-se o disco, limpa-se a casa, sacode-se a poeira. Desistes de ser quem foste, e transformas-te em quem é. Tornas-te uma pessoa melhor e asseguras que sabes bem quem és... antes de conheceres alguém e de esperares que vejam quem és...
...
Para outros, o mesmo sol que apareceu promissor, revela-se como um desalento de inquietação sem saber qual rumo a tomar, numa rotina interminável. Nada mudou, é apenas mais um dia...
...
Realmente é mais um dia, que fará grande diferença se nos sentarmos para fazer um balanço, cobrar juros, a correcção monetária da vida. Onde falhámos, porque não conseguimos... como devemos revolucionar a nossa capacidade criadora para remediar situações antes insatisfatórias.



É sempre preciso saber quando é que uma etapa chega ao fim...

...
E lembra-te:
Tudo o que chega... chega sempre por alguma razão...

terça-feira, 12 de maio de 2009

O banco de jardim

Com o sol cintilando no teu rosto, acordaste, ali, deitada num banco de jardim. Não recordavas o motivo pelo qual dormias na rua, tão pouco sabias porque te sentia assim, não de corpo mas de espírito. Estavas desnorteada, dispersa nas dúvidas, e ali ficaste, entregue aos pensamentos.
Todos passavam e olhavam, mas, ninguém se interessava.
Esvoaçam andorinhas, Tu e as flores. Vermelhas, rosa escuro e lilases.
A tranquilidade. As horas que passaram. Dos ramos voavam já, uma vez mais, muitos dos amentos da cerejeira.
O sol, escondido por entre as nuvens e a brisa perfumada. O canto dos pássaros e o ranger do baloiço. Eu penso em ti. E tu, em que pensas?
Dentro do muro, um baloiço de jardim; fora, uma rua. Fora do muro, um caminhante. Lá dentro, um riso de rapariga bonita, de ti...
Empurrei-te o baloiço, para a frente, para trás... tinhas asas, eras pássaro, cometa ou avião! Movias-te como se fosses capaz de tocar no céu com a própria mão!
Prendo-me a ti na urgência de um grito, dado num labirinto esporádico... e... baloiço-me outra vez nesse olhar que seduz. Perco-me na intensidade ardente dos teus olhos que desvanecem a qualidade derradeira do teu coração...
E baloiço-me em partículas de luz, suspensas no teu olhar... no baloiço do jardim...
Sentados no banco do jardim, falamos das vidas. Das nossas. Do que perdemos, do que não ganhámos, do que vivemos, do que deixámos de viver, dos projectos que não realizámos. Das demasiadas perdas.
Hoje deixo mais algumas palavras para reflectir… Comecei recentemente algumas lembranças do passado pensando no futuro e fui descobrindo coisas fascinantes e outras verdadeiramente inimagináveis… de mim mesmo que pensei serem pesadelos de uma vida que não quis ter... Não vou divagar... apenas digo que um dia todos lá vamos chegar, e nessa altura não vamos querer ser apenas mais um velho sentado no banco do jardim…
Um velho sentado, curvado, de olhar triste e cansado, com uma história para contar, antes que o tempo se acabe, antes que o tempo o apanhe. Mais um velho num banco de jardim. Um banco de jardim quase vazio…