sábado, 29 de maio de 2010

O DIA EM QUE APRISIONEI O MAR

Olha… circula o horizonte em teu redor… e diz-me… Mudou alguma coisa?

Saúdo a matina, espelhada numa estranha rima nas ondas relaxantes da manhã. O azul multicolor do céu rasgado pela estrela brilhante do dia, uma amarelo relaxante… quem diria…

Pouso um pé, e alargo o outro… nas pegadas frescas da manha… onde o rasto é dos primeiros ao raiar… solto no caminhar… onde fui, onde não estou… dezenas já estiveram… mas não… não deixa de ser diferente, a memória de saudade carente…

Então quando tudo terminar, e nada mais restar… Sorri… Sorri e vai mentindo a essa dor, quando a saudade atormentar no teu sonho encantador, nos teus dias tristonhos e vazios… simplesmente … Sorri

Pregado na pequena teia, aquela ideia de datas e lugares, vulgares a tantos… talvez a ti também… mas eu fui mais além… aquém das memórias e histórias de quem quis, num pequeno longo dia quis ser feliz… naquele lugar, o bater das ondas à beira mar… o toque da areia lisa… o sentimento de uma brisa…

E o dia permaneceu… lento, lentamente curto…onde o relógio não toca, onde sou aberto, liberto da preocupações, das acções demoradas na neblina das datas banais … mas à décima sétima hora após a meia-noite, num gesto como que arde, aprisionei o mar… que não consigo tocar, sem receio… no anseio de lá voltar e recordar, vivenciar o dia em que foi meu… o mar…

Mas a tarde ilustrada no perfil, a luz do azul naquele mês de Abril… concentra-se na sua densidade, e a juventude adensa-se na tarde… e resistindo à saudade, tenho o mar aprisionado… um resto de sentimento sonhado… agrava, ao lume da ferida no pensamento meditar até que um velho diga que está na hora de o largar, o mar, na memória, é parte da história, na claridade em que o mar se deixou aprisionar…

Voltei ao mesmo lugar… ao qual me senti indiferente… a questão pertinente… a saudade não era do lugar… mas teimei em lá voltar… mas nem todos voltam… nem todos vivem… nem todos aprisionam o mar…

Olhei no profundo, segurei o sentimento do mundo… e soltei-o… o meu triste anseio de ter o, para não voltar a sofrer, soltei o mar que não era meu… que na extensa areia se esvaneceu…

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