quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Porquê desistir agora?


Acordei a sorrir, e deito-me a chorar...

A jornada foi longa e assim tento mascarar o que sinto, tento enganar-me, na dubiez já certa.

Vou falar? Não vou falar?
Pode a minha compreensão me iludir...
Ou posso admitir que não entendi, na errónea quimera tentando prever que consigo aguentar!
Será?! Mas esperar para quê? Por algo que já não vem?!

"Mais uma vez estás a enganar-te e vais bater com a cabeça!" – é o que meu lado direito me diz, o da razão!
"Aguenta mais um pouco, tudo é possível e vai correr bem!” – é o que me sugere a parte esquerda, do coração!

E agora?!
O labirinto que me desorienta, nesta roda-viva em que a saída foge a cada passo dado na direção que parece certa, ou incerta. Longa é a madrugada de um dia em que o sol não se põe! Será que fui longe demais? Poderei eu parar e regressar?!

A ingreme descida foi longa no correr da praia da solidão. Matinais são as pegadas que deixei, mais que leves marcas na areia foram apagadas, e algo me diz que devo seguir em frente!

Longínquo é o meu destino e longa foi a caminhada! Porquê desistir agora? "Não pares e segue em frente", volta a criticar meu coração! E quem disse que o coração não tem um pouco de razão?!

Nos caminhos de pedra calejados poderei tropeçar, posso até cair! Seguramente terei forças para me erguer e encarar mais um desafio que incita a vida e a forma de viver como nunca ninguém o fez.

Recuando alguns pensamentos, arrisco afirmar já não ter objetivos para batalhar ou energia para lutar, sorrir por delicadeza, prometer verdades que jamais acontecerão e sonhar quando não durmo, silenciosamente à espera, simplesmente, do que não vai acontecer!


E dou por mim, a lutar por numa disputa perdida, em que me perco e sei que morri, mas não sem mostrar que queria lutar! Não como um covarde que desistiu na primeira linha de defesa!


terça-feira, 23 de setembro de 2014

Eu quero sonhar

Um dia quis deixar de sonhar...

Há momentos na vida num olhar, que nem sabe o encanto que ele tem que sentimos falta de um conforto, de alguém!

Agarrar aquela que figura nos meus sonhos e abraça-la como se amanha fosse o nosso ultimo dia. Sim. Tambem quero um abraço forte e apertado.

Sinto falta disso!

Muito!



E sinto-me.... por saber que posso nunca vir a ter a oportunidade de o fazer como verdadeiramente gostaria.

E o dia acaba! Mais um longo dia, em que no fim, nada me espera!
Porque nada é mais triste do que acabar o dia e encontrar uma casa vazia.
Apenas a esperança de que alguem se lembre de mim com um pequeno e aparentemente insignificante gesto, de boa noite.

E a saudade... mata com a incerteza entrelaçada.
Não passa de águas passadas que se acumulam no coração, inunda os meus pensamentos, transborda pelos olhos, desliza em gotículas de lembranças que por fim, quando a saudade é demais, não cabe no peito e escorre pelos olhos e morrem na realidade do lábios.

Um dia quis sonhar e virar a minha vida do avesso.
E tenho medo, porque o quero fazer na esperança de poder estar perto... e no fim... a tua vontade seja partir para longe.

E por muitos sorrisos que espelhasse não seria mais eu.
Sentir-me-ia novamente como mais um dia que termina e nada me espera.
Naquele que se espera, o que talvez não vem.

Eu quero sonhar.
Mas quero sonhar contigo e poder acreditar num amanhã ao teu lado.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Porque se calou o mar...



“Aqui nessa pedra, alguém sentou para olhar o mar.
O mar não parou para ser olhado Foi mar pra tudo que é lado”
Paulo Leminski



Enquanto percorria os longos prados de areia e maresia, um dia, o mar sentou ao pé de mim…
Desejava falar, queria desabafar…

O mar em pessoa, molhado, salgado, ali, sentado.
E ali permaneci, a escutar o que o mar proferia…
Um surpreende léxico poético ecoou das dunas aos meus ouvidos! Até parece que foi ontem… talvez ontem, o mar que me falou.

Com um humor contagiante riu de tudo e riu de nada! Das areias da praia e das cocegas que lhe fazem, da imensidão e o vazio o que o cerca, dos loucos que por ali passam e lhe falam, dos que lhe segredam, dos que se sentam a ouvi-lo, sem escutar. Se quisesse rir de um louco, não precisaria ir muito longe. Então riria de si mesmo!


“Apresso-me a rir de tudo, com medo de ser obrigado a chorar.”
 Pierre Beaumarchais


Com a amargura da solidão chorou, todos os medos que as ondas lhe instigam, as mágoas que os rios lhe ocultam, as preocupações e raiva que a chuva lhe trás. Teve vergonha de gritar que esta dor é só dele, de pedir que o deixem em paz e a sós com ela!


“Deve existir algo estranhamente sagrado no sal: está nas nossas lágrimas e no mar...”
Khalil Gibran


Chorou…
… tudo o que o que se perdeu,
… por tudo o que apenas o ameaçou e não chegou a ser,
… por si só, grande e solitário,
… hoje sujo, pela amanhã,
… porque sempre amou e nunca o amaram…


Não me pronunciou uma só palavra de amor! Será uma jura de luxo?
Pronunciou sobre a sorte e o futuro, incertos…
“ Já te perguntaste: ‘Onde está o meu destino?’”


E lacrimejámos, troçamos e juntos entoámos melodias, o som das ondas na brecha de um mar calmoso. Sentia-me bem e confiávamos um com o outro.

Convertemos ideias em pensamento, opiniões em conselhos, medos e angustias.
Apelidei-o de conselheiro e confidente. Foram poucas as suas palavras:

“Se não consegues entender o meu silêncio de nada irão adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos.”



Então, levantou-se e sorriu… um sorriso malandro como de quem faz troça.
Atirou-se nas águas desertas sem fim, apartou-se e eu fiquei ali a contemplar as ondas que pareciam dizer, “tem paciência”…

No horizonte, longe o brilho da estrela solar desceu em agonia na noite que se fez. Tingiu as águas de várias cores cada vez mais escuras até ao negro pálido.

E eu fui… e segui o meu caminho assim como ele.
Contudo, a saudade ficou, voraz, naquela amarga voz de quem fica para trás ou a trémula de quem parte!

Os anos passaram e tornaram-se décadas. Na esperança de reencontrar aquela figura, regressei, para conversar, cumprimentar e agradecer…

Queria conjurar novos temas e ambições, mas foge de mim e não me deixa alcançar.
Orgulho que me prende também, de ir atrás e correr, simplesmente … fazer notar que estou aqui. Finge que não me conhece e nunca esteve! Não se elevou e eu invoquei e bradei, clamei às ondas um sinal!
Mas nem aquela sombra figurada me assombrou nas ondas que quebram…

E desde então o mar nunca mais me falou…
Nem as sereias do mar queriam acreditar, em tamanho ignorar…



“- Abandonou-te?
- Pior ainda: esqueceu-me...”

Mario Quintana



Segundo os anciãos da arte xávega, reza a lenda que o mar personificado, só aparece uma vez a cada 10 anos!

Inesperadamente, aproxima-se daqueles que se deparam perdidos de si mesmos. Fala, diverte-se, entretém, comove e impressiona. Sorrateiro, da mesma forma que vem, também se vai, e desvanece na neblina repentina, calado e silencioso, sem regresso. Dizem que a sua aparição só acontece uma única vez por errante. Sem retorno. E fica ao longe, à espreita, segredando palavras entre a rebentação das vagas na noite mais sombria.


Tal como um farol, embora não se veja, há sempre uma luz que esperançosamente dá um sinal, e afirma que está lá… para guiar…

sábado, 16 de agosto de 2014

Ecoam palavras

Ecoam na minha mente, lindas e maravilhosas palavras que sempre sonhei murmurar-te ao ouvido!

Mas sinto que para ti seriam apenas palavras vãs!
Não as sentirias ... como eu... não seria mútuo...

E essa angústia prende-me em silêncio! E vivo triste?
Fecha-me de mim!

E quando a necessidade de verbalizar me agita....
Então escrevo... no meu pequeno canto perdido!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Fica comigo ou liberta-me…


Pairei carinhosamente nas oscilantes sinuosidades do lago, cansado, estagnado…. Assim…
Mais do que o orvalho que gotejava nas verdes folhas das trepadeiras, era a angústia.

Peguei nos lisos seixos dispersos de forma errática e roguei um desejo. Arremessei para longe, a minha súplica, saltitante na superfície da plenitude!
Mágico o lago me respondeu, com sons de água salpicante, naquele momento relaxante de alucinação.
“- Eu não posso simplesmente dar-te felicidade. Eu não tenho esse poder, ninguém tem. Porque estás tão triste?”


“Porque sozinho, não consigo ser o autor da minha felicidade!
Porque não posso, nem quero seguir assim, apenas por continuar. Sem saber que trilho preferir! Quero fugir!
Tenho todos os motivos do mundo pra te pedir pra ficar comigo, do meu lado, mas não posso fazer isso! Preciso sentir que tu também queres estar comigo.

Ainda que passemos horas, simplesmente, a olhar, sem nada dizer, sem verbalizar uma só palavra. E essa, será certamente a melhor parte do meu dia!

Sabes qual é o meu maior desejo?

Pedir-te para ficares comigo para sempre…
Poder acordar contigo ao meu lado…
Discutir contigo…
Mandar-te calar, mesmo sabendo que não o vais fazer…
E silenciar essa boca com um beijo!

Desculpa por me ter apaixonado por ti, por te amar desta maneira! É mais forte do que eu, e não consigo controlar! Fica comigo ou liberta-me…

Quando se ama, não se pode mudar isso!
Difícil é, deixar de amar para ficar tudo bem. 

E… quando a noite cai, dói quando a que pessoa que amas não está, ou simplesmente, sentes … tão ausente!
A expectativa, é correr atrás e dizer: “Fica comigo por favor.”
Podia dizer-lo em várias línguas, sem certezas do que seria sentido!

Mesmo que esteja errado, já não serás tão só nem irei tão sozinho.
Há-de ficar contigo uma saudade minha, hei-de levar comigo uma saudade tua.


Se me quiseres contigo, basta pedires, e eu não pensarei duas vezes, não olho para trás.
Mas, se nada disseres, se não quiseres, agradeço-te por um dia me teres dado a oportunidade de te conhecer!

Afinal sei que independente do rumo dos nossos percursos, estarei eternamente por perto para te acolher na madrugada e te amar até o amanhecer…

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Bom dia



Hoje acordei a pensar em ti.

Recordando a tua voz, e o teu sorriso.

Então preenchi o vazio com todo carinho que sinto por ti!!!

Com uma vontade enorme de te ver, acordei.

Jurava que, por momentos, ainda sonho acordado!




Bom dia pequenina

sábado, 2 de agosto de 2014

Um dia sonhei fazer-te feliz…




Fechei os olhos, e senti a água trépida pelo corpo. Quente e refrescante, suavemente numa nuvem de vapor.

Dormi demais. A água cálida desabava sobre a face, e cerrei mais uma vez os olhos, e dormi, e fez-me sonhar! Já adormeci vezes descomunais sob a água do chuveiro, mas nunca como hoje! E não sonhei acordar!

Sonho com aquilo que quero ser! Ser feliz!
Mas a ilusão, desfaz-se e não entendo esses jogos de sentimento, porque o que nutro não pode ser medido!


“Dói no coração de quem sonhou, sonhou demais...”
Tom Jobim


Um dia fui criança, outrora adolescente. Cresci, amadureci, prossegui e desisti…
Não tenho medo da vida, tenho medo de não vivê-la! Vivê-la na sua plenitude e intensidade.
Desculpem-me a expressão, mas ando numa fase do, “que se lixe, que tenho eu a perder!”

Quiçá eu seja mais um fantasista, um sonhador… mas…
Senti paz no estar contigo. O toque caloroso das tuas mãos e nessa noite perdi-me no teu olhar! Ah, se eu pudesse entender o que murmuram os teus olhos! Nem as estrelas seriam capazes de fazê-lo…

Minha alma tortura-me com um colossal flagelo por estares distante. Será isto punição!
Desculpa por corresponder ao não correspondido. Mas não sou mais aquela criança, não sou mais aquele jovem tolo adolescente, a ponto de saber tudo. Mas cresci!

Desejei o que querias! Seja isso o que for!
Certo é só ter uma história, uma simples oportunidade para fazer o correto, só uma oportunidade para viver.

Espero ansiosamente, pelos teus braços traçados nos meus.
Doce é o vibrar do sonho, o pensar em ti, sem a tua permissão...
Desculpa se alguma vez ansiei demais! Apenas quis ser … feliz!
Eu fiz questão de esquecer, e dissipei o sono. Roubaste-me o sonho! Que importa se me roubas o sono? É acordado que sonho contigo...
Contudo, iludir-me é a pior de todas as mentiras, e alucina-me!

Prevejo reavistar o meu conselheiro brevemente, e ouvir o que me tem ele a preconizar. O mar! Anseio que interceda para que reme por ti! Proponha que remes comigo. Contra as marés, contra as tormentas, sem medo do percurso e das casualidades.

E na esperança, de cada sorriso, em cada lágrima... esta noite sonhei e acordei!
Onde ficou a felicidade? Ela está para lá daqueles que a procuram, para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam na nossa vida.


“As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”

Clarice Lispector


Barrámos trilhos e veredas por diversas vezes nesta existência.
Poderás dizer que sou um anjo!

Reponderei afirmativamente, somente da minha certa incerteza:
 -  “ Sou um anjo caído!”
Porquê um anjo caído? O que é um anjo caído?
Com todas as dúvidas e certas incertezas, será um anjo que saiu do paraíso com o intuito de amar. Prescinde de uma parte de si, dissipa suas asas e parte ao acaso.

Agora no final, perdi uma parte de mim, dispensei as minhas asas!
Mas tê-las-ei perdido por alguém que pode nem se importar…


Desculpa por querer fazer-te feliz…

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quando eu sonhava - Almeida Garret

Quando Eu Sonhava
Quando eu sonhava, era assim
Que nos meus sonhos a via;
E era assim que me fugia,
Apenas eu despertava,
Essa imagem fugidia
Que nunca pude alcançar.
Agora, que estou desperto,
Agora a vejo fixar...
Para quê? - Quando era vaga,
Uma ideia, um pensamento,
Um raio de estrela incerto
No imenso firmamento,
Uma quimera, um vão sonho,
Eu sonhava - mas vivia:
Prazer não sabia o que era,
Mas dor, não na conhecia ...

Almeida Garrett, in 'Folhas Caídas'

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pérolas perdidas


Mudei e disco, mudei tudo o que tinha guardado, armazenado ao longo de alguns anos! Pode parecer metáfora… mas não é! Mudei de disco literalmente. E, nas minha arrumações informáticas encontrei algo que já não via…faz quase 10 anos..

Escrevo por aqui, neste canto perdido porque sei que ninguem se vai dar ao trabalho de ler


Pequenos verso que soltei nas páginas de um pequeno caderno de argolas que escrevi, que risquei, que rasguei. Pedaços que deitei ao lixo no dia me que o meu irmão partiu de vez. Tanto que deitei fora de mim nesses dias… e este foi só mais um. Mas, contra todas as hipóteses uma parte escapou, talvez conscientemente, talvez não.  
Escondido numa pasta, atrás de pasta, atrás de pasta, sem nome, sem referência, sem acesso. Um dia fechei estas palavras com a palavra que mais me custava dizer, para que ninguém o conseguisse ler, nem eu. Qual seria a palavra-chave deste mistério! Nem, sei! Mas ao fim da segunda tentativa, lembrei-me.
Sabes! Às vezes à noite o silêncio seduz-me… suspensa a confusão da luz!
Na solidão revoltava-me em tristezas… e sonhos. Criava sonhos impossíveis de alcançar, em que entrava quem queria e que não podia voltar a entrar na realidade. Tenacidade do meu sonho, querer que o sonho fosse meu…

As recordações que nos passam pelos olhos e nos deixam confusos, revoltados, de consciência pesada por não termos feito aquilo que podíamos, mas deixamos por fazer, e o passado não volta atrás.

No entanto perdemos aquela coragem que nos vêem nos olhos que é substituída por tristeza e incerteza que nos deixa fracos para continuar. E a nossa mente torna-se vulnerável, não aos olhos dos outros, mas no nosso distanciamento da realidade.
Jamais me acostumei aos obstáculos com espinhos que surgiam perante a escuridão! Às vezes sonho demais.
De tudo o que existe neste mundo nunca pedi nada na vida. Só pedia para ser feliz. Apenas uma oportunidade para ser feliz. Sempre foi o meu desejo.

Que quis eu um dia:

“Eu só queria
Ter uma coisa só minha,
Uma coisa única
Que mais ninguém tinha.

Eu só queria
Ter um grande futuro
Cheio de alegria
Vedada por um muro.

Eu só queria
Ter certezas na vida
Tão triste e singela,
E pouco divertida.

Eu só queria
Ter uma vida sossegada
Com coisas belas
Como uma história encantada.

Eu só queria
Não ter a vida que tenho,
Mas não passaria
Apenas de um desenho.

Eu só queria
Viver numa dimensão paralela
Tão irreal
Como um quadro de aguarela.

Eu só queria
Viver num sonho
Onde viveria
Eternamente risonho.

Eu só queria
Poder desaparecer,
Tornar-me invisível,
Mas transparente, ninguém pode ser”

Dicaf – 2004

Como dizia o “amigo” de Fernando Pessoa

"Não sou nada.
 Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Álvaro de campos


“Perdi-me...

Perdi-me em pensamentos,
Histórias e ilusões,
Fazendo julgamentos,
Largando punições.
           
Perdi-me em sonhos
Terríveis e medonhos,
Terrivelmente incríveis
Sem poderem ser visíveis.

Perdi-me numa selva escura,
Que para sempre perdura,
Escondida no nada;
Numa história inacabada.

Perdi-me num labirinto,
Pequeno e faminto;
De fazer perder
E as pessoas desaparecer.

Perdi-me no meio da multidão
Sem rumo para seguir,
Causando confusão
Sem me decidir.

Perdi-me de mim
Triste e abandonado
Sozinho assim,
Como um velho acabado.

Perdi-me entre estrelas e cometas
Ao o sol observar;
Sonhos de poetas
Desvanecidos no ar.”

Dicaf - 2004








domingo, 20 de julho de 2014

Carta a um dia que foi…


Um dia, “meio” alcoolizado falei mais do que queria… deixei de conseguir conter... 

Contei o que enterrei à beira mar!!!!
Sim, um dia enterrei o que sentia à beira-mar!
E dá para enterrar um sentimento à beira-mar?

Metade dos meus erros nasceram do facto de sentir quando devia pensar e de pensar quando devia sentir.

.................................................................................
Deixa-me voltar alguns anos atrás e reescrever:
.................................................................................

Não sei o que aconteceu de diferente naquele dia, já não me recordo, o que me fez pensar de forma diferente! Sei lá! Só sei que estava farto, cansado, frustrado. 
Cansei-me de sentir… sem to poder mostrar. 
Não tinha mais vontade de falar sobre os meus sentimentos.
Abandonei tudo para trás, tudo que me fazia lembrar o que não queria… o que me deixava pensativo, nostálgico.

Saí do local de trabalho à hora do costume mas o caminho não foi o mesmo. Segui em direcção oposta. O mar era meu. Naquele dia era meu…
Já ninguém pisava a areia amarela. Mais um dia de trabalho para esquecer. Tudo corria ao contrário…

Que pensei eu? Que ideia surreal me passou pela mente naquele dia…
Descalcei-me, lentamente, sem pressas, num dia em que nada se passava no cair da tarde… quando a noite se aproxima.
Sem vivalma em redor senti a areia na base dos pés, o som das ondas ao longe, e caminhei na sua direcção. 

Vou até ao indefinido.
Paro, tantas vezes para … pensar.
Já são tantos os silêncios que se ouvem nesta hora!
Cansei-me...
Não tenho mais vontade!

Sentia o vai e vem da água nos meus pés.
A gélida água do fim da tarde, quando o mar acalma, quando se cansa de tanto ir e vir.

Senti correr pela face, salgado, mais do que as ondas do mar... cada pedaço da minha alma que sofria, no ar pesado que me cercava.
No lugar mais recôndito do meu ser, deixei de dormir há muito.
Tudo me perturbava, tudo me preocupava, tudo me fazia sentir tudo… menos eu, quem eu era, quem eu fui. 

Não queria ter aqueles sentimentos de amor, mesmo de amizade, que me atormentavam á tanto tempo. Sempre acompanhado de tristeza, dúvidas, incertezas.
Desilusão de mim mesmo!
Estava perdido, como se o mundo me tivesse virado as costas, esquecido, ignorado. “Porquê eu? Porque merecia eu viver? Para isto?”
Parei por momentos e fechei os olhos.
Pensei seguir em frente dar mais dois passos em frente!
E parei, não segui…
Recuei por momentos, dois passos de hesitação. 

Voltei à areia enxuta e sentei-me simplesmente a olhar.
Às vezes preocupamo-nos com tanto, que nos esquecemos que existem tantas outras coisas maravilhosas na nossa vida…
Peguei no meu caderno amarelo queimado, onde versava, onde poetizava o que ecoava na minha cabeça, todos os dias, quando queria, quando sentia necessidade!
Empunhei a caneta dourada que sempre me acompanhava.
E escrevi…

Ah! E são tantas as palavras, as promessas…
Falei sobre os meus sentimentos…
Perpetuando no meu coração a palavra Viver, ou não…
Despedi-me … dos sorrisos tristes e escondidos.
Lutava contra algo que me fazia ficar menos feliz.
Tentava fechar a porta a sete chaves definitivamente e esperava mesmo conseguir fazê-lo...
Queria afastar de algo ou pelo menos conseguir seguir em frente.

E escrevi tudo…
Os meus medos,
Os meus pesadelos,
Os meus sonhos,
Os meus sentimentos,
Os meus pensamentos,
As minhas ilusões
E… o meu amor!
No fim uma despedida… de tudo… ainda me custa lembrar deste ultimo!
Não sei quantos páginas foram… umas quantas, perdi a conta!
Não sei o que me levou a escrever tanto naquele dia, naquela tarde que se fez noite!

O que é afinal o amor? Pode fortalecer ou enfraquecer, expandir ou encolher, enriquecer ou empobrecer. Quando é correspondido, nós florescemos. Somos levados a alturas jamais vistas, onde ele nos delicia, revigora e embeleza. Quando é tolhido, sentimo-no aleijados, desconsolados e deprimidos.

Olhei para a frente e nada vi… Apenas conseguia ouvir as ondas do mar… que pareciam musica… que pareciam dizer: “tem paciência”…

Então, lentamente, caminhei em direcção àgua…
Parei por um momento…
Cavei um pequeno buraco entre mim e as ondas… prendi a caneta dourada ao caderno amarelo queimado… e soltei-o. Libertei-me daquelas palavras! Dos loucos pensamentos que escrevi. Pousei-o lentamente naquele pequeno espaço e tapei com a fina areia. E foi a ultima vez que o vi… os meus poemas, os meus assentos e os meus pensamentos…

Limpei a face gotejante.
ENTERREI MEUS SENTIMENTOS, num pequeno caderno e não pensei mais. Não voltei atrás! E fui embora… entrei no carro e não olhei para trás. Naquele dia já não sabia quem eu era! E isto doeu muito! 

Tomei uma decisão por mim. Fechar-me totalmente para as emoções!

Por fora era o mesmo, mas por dentro seria? 
Deixei de me preocupar tanto. As pessoas deixaram de ver tantos sorrisos, que fossem verdadeiramente meus. Passei a ser racional e menos emocional. Queria lá saber!
Fixei-me no trabalho! Um modo deprimente de viver. Mas pelo menos não tinha de sentir. Fazia apenas o que tinha de ser feito! Não precisava de sentir o que fazia.

Há quem possa pensar… “ Foi um caderno”. Mas naquele dia ficou ali mais do que um caderno, ficou uma parte de mim. Talvez á espera que alguém, um dia a trouxesse de volta!
Desde então vivi apenas por viver…

 Agradeço a todas as pessoas que não me deixaram cair e perder-me de mim…que me apoiaram, que me ajudaram a ver as coisas de outras forma, sem nunca se terem apercebido, sem notarem que passaram a ser uma peça importante neste puzzle que é a minha vida.

Graças a eles ... hoje sou a pessoa que vês, e tenho orgulho nisso!