Acordei a sorrir, e deito-me a chorar...
A jornada foi longa e assim tento mascarar o que sinto, tento enganar-me,
na dubiez já certa.
Vou falar? Não vou falar?
Pode a minha compreensão me iludir...
Ou posso admitir que não entendi, na errónea quimera tentando prever que
consigo aguentar!
Será?! Mas esperar para quê? Por algo que já não vem?!
"Mais uma vez estás a enganar-te e vais bater com a cabeça!" –
é o que meu lado direito me diz, o da razão!
"Aguenta mais um pouco, tudo é possível e vai correr bem!” – é o
que me sugere a parte esquerda, do coração!
E agora?!
O labirinto que me desorienta, nesta roda-viva em que a saída foge a
cada passo dado na direção que parece certa, ou incerta. Longa é a madrugada de
um dia em que o sol não se põe! Será que fui longe demais? Poderei eu parar e regressar?!
A ingreme descida foi longa no correr da praia da solidão. Matinais são
as pegadas que deixei, mais que leves marcas na areia foram apagadas, e algo me
diz que devo seguir em frente!
Longínquo é o meu destino e longa foi a caminhada! Porquê desistir agora?
"Não pares e segue em frente", volta a criticar meu coração! E quem
disse que o coração não tem um pouco de razão?!
Nos caminhos de pedra calejados poderei tropeçar, posso até cair! Seguramente
terei forças para me erguer e encarar mais um desafio que incita a vida e a
forma de viver como nunca ninguém o fez.
Recuando alguns pensamentos, arrisco afirmar já não ter objetivos para
batalhar ou energia para lutar, sorrir por delicadeza, prometer verdades que
jamais acontecerão e sonhar quando não durmo, silenciosamente à espera, simplesmente,
do que não vai acontecer!
E dou por mim, a lutar por numa disputa perdida, em que me perco e sei
que morri, mas não sem mostrar que queria lutar! Não como um covarde que
desistiu na primeira linha de defesa!



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