Podia apenas sonhar, imaginar e ser nada mais que um sonho. Mais um
olhar tão real, tão peculiar nas linhas vítreas molhada entre chuva e esguios
raios de sol, da varanda do meu refúgio.
Ao longe, chaminés tijolo barro, recortes sobressalentes na casaria e
edificação vislumbraste ao longe e linhas de fumo branco verticais, que nem um
olhar, nem um sorriso permitem descrever… se o destino assim não o permitir.
As ruas semi-simetricas erguem-se entre prédios, torres e catedrais,
canais para além do que os olhos conseguem agarrar. Ao mesmo tempo tudo me
parece familiar, as extensas avenidas sombreadas de árvores, pontes… candeeiros
de ferro.
Indecisa a ponte atravessa as desenhadas margens do Sena. Prende-se à
duas margens, assim como muitos de prendem, sem saber em qual delas quer ficar
ou para onde quer ir. Como de quem precisa desesperadamente naquele instante
esquecer o que tem pela frente ou o que fica para trás, como de quem precisa
nesse instante de um abraço e abraçar por quem passa.
Enquanto isso a água corre no leito do rio, certa que o caminho é
sempre em frente, enfrentando meandros e rochedos, contrariando quem teima
embarcar contra a corrente, na esperança de que o seu destino termine na vasta
imensidão do mar.
Pseudo-poetas namoram somente entre as cores das líricas repelidas nos
recantos mais inesperados, preconizando o som das flores e o brilhos na chuva
nas breves gotas de sol.
Nascido entre o verde das matas, o asfalto e o cimento são o meu
solitário céu, onde as estrelas não dançam, e o que outrora eram sonhos,
desvanecem, ou florescem. Desprendido de alguns caprichos, nichos de ecos da
minha voz, enfrento as batalhas da vida debruçado na janela da existência.
Cintilante e imenso, ruas e vielas, a cidade esconde-se de mim, esconde
os recantos, encantos e desencantos, dos brilhos nos olhares da multidão, dos
pares… Um delicado bom senso confundido com elegância!
Como já dizia Fernando Pessoa: “Eu Sou do Tamanho do que Vejo”



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