E eras tu…
A ilusão
cinza confunde-me os sentidos. Os olhos cegaram para as cores do mundo.
Procuro-te
ainda nas palavras, e chamo-as … ainda! Mas as palavras não sentem, e os
significados nada significam e nesta insignificância obsessiva, palavras já não
puxam palavras. E das palavras de amor, já nada quero saber. Ofereci-tas todas
Restam de ti
as fotografias e as memórias que guardo, junto de mim, perto do coração.
Queima-me a pele, o sonhar, os nossos sorrisos perdidos naquela ilha. Nas
madrugadas em que o sonho embalava as minhas pálpebras. Eras a minha certeza, o
conforto! Já não bate o coração que batia, rítmico, embalado na trémula ausência
penetrante de cor.
Tenho um par
de lágrimas escondidas sob o olhar embora a mente sussurre ao ouvido, e o coração
impeça de seguir em frente. Cubro-me de silêncio num eco mudo perpetuado de
incompreensão e amargura. Cubro-me e parto em silêncio.
Coleciono
perguntas para as quais já sei as respostas tal como o som apagado do bafio. E fingo
não saber!
O Sol
curva-se sobre si mesmo, na curva que nada espera. Persisto no que errei.
Perco-me nos meus passos… nas pegadas dos teus, com medo de que o trilho
se desalinhe e se esconda nos arbustos e no escuro, intransitável. Disfarçadamente,
peço-te que não me afastes, que não te afastes.
Enrugam-se os
olhos à espera do amanhã, secos nos dias e nas noites, no sonho e na realidade
Cego, prometi-me
um mar de certezas. Dei-te todos os meus sonhos, dias inteiros! A pior cegueira é a que
acontece aos olhos do coração.
Nas tuas
mãos tens o meu coração, prostrado, os meus sonhos e as minhas angústias, todas
as palavras que te entreguei embrulhadas em lágrimas e sorrisos. E as palavras
ficam suspensas entre nós … como travessias flutuantes para que o amor saiba
sempre por onde regressar.
No fim, nada
resta senão a brisa e o vento. Embora o coração murmure, embora me doa no
peito e me diga que este dia… poderá até ser... o meu ULTIMO!


