quarta-feira, 7 de março de 2012

A sombra que se quebra

Meu amor, o que encontras…
Nunca vou esquecer, teu fosso de silêncio, que estava vazio, que guardo de ti.

Cais, às vezes, e voltas, rancorosa e ferida, no teu abismo na solidão errante….
A minha palavra em teu poço fechado… sem que tu a orientes, voltará a ferir-me.
Quem te ensinou os passos que até mim te levaram? Não acharás, esse instante!
Tira-me o ar, com esses olhos cansados! A repentina onda do teu riso … ah... ao encontrar teu riso, à beira do mar, em pleno outono, aquela flor que esperava, a lua que te ama, deste jeito grosseiro, como uma só porta fechada, caminhas pela sombra.

Talvez teu sono se tenha separado do meu. Ris-te da noite, como se antes de ser, as tivesse tocado, tuas mãos, por que as reconheço, até tua presença!
Deixa-me que te fale também … com o teu silêncio…

Dormi, despertei! Se cada dia cai dentro de cada noite, voando sobre o tempo, essas asas sobre a primavera, e tua boca cintila como se me chegasse da vastidão que nos rodeia.

Andavam dias iguais a perseguir-se. Perguntas que se insistiam na areia. Sabes... são mais tristes os portos ao atracar da tarde.

Esperemos…
Acontece…
Nem a noite, nem o sonho levantam e fazem… outros dias que não têm chegado, ainda… amargos ou preciosos que cresceram comigo, mas ninguém entrou. E por fim, correm pelo mar rumo a onde não chegam.

E desde então, não sei mas ... sou porque tu és…

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