domingo, 26 de fevereiro de 2012

A arte de ficar calado

“Que o silêncio me sufoca e amordaça. Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça. “ - José Saramago

Às vezes perguntas-me, por que eu sou tão calado…
Mas, eu sou o medo do fraco… a força da imaginação

Hoje eu queria mostrar-te... eu sou, eu fui, eu vou..
E as juras de maldição... calado.
De amor… não falo, quase nada, a luz que se apaga, a vela que acende…
Nem a sorrir fico, ao teu lado...

Há quem diga que sou aquele livro - “Saiba ficar calado em 30 dias”.

Admiro quem fala, principalmente, quem fala nas horas certas.
Mas é na reflexão, no silêncio, na tranquilidade que encontro a harmonia.

Quem me conhece sabe que sou apenas um admirador, não falo muito, mas sou capaz de ouvir durante horas… mais horas que deveria.
É mais forte do que a minha força de vontade, que devia mudar de nome, para “vontade” só, porque de força não tem nada.

Tens-me perto de ti todo dia … mas não sabes se sou bom ou mau….
Porém, não é omissão. Se perguntares qualquer coisa que queiras saber, eu respondo.
Quando alguém diz alguma coisa que soa absurda, simplesmente fico na minha.

Há muito tempo que não ficava tão calado… enquanto eu apenas… existo.
Fazia tempo que alguém não ficava tão perdido, só porque me encontrou.

Ao invés de contactos constantes, dos grandes grupos, como introvertido prefiro companhias mais seleccionadas, apreciar um boa música e ler um bom livro, escrever pequenos desabafos…
O ser humano há muito escreve apenas para fugir de si próprio, não desejando mudar nada.

Não procuro popularidade…
Sou inventor, sonhador…
E os outros não percebem a beleza e imensidão disso.
Voltam-se para o seu padrão, acreditando que somos indivíduos, lutando, competindo, cada qual querendo satisfazer sua própria minúscula e bestial individualidade.

Como isso não significa nada, volto ao meu modo de vida...
Então é melhor não ouvir nada do que digo…

“Todos nós crescemos numa sociedade extrovertida ( …) Existe mesmo um conceito negativo em relação aos introvertidos”. Olsen Laney

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Gritos mudos

Por dentro de tantas palavras, sinto-me ... explodir.
Hoje não há poema.
Critério de selecção ... ou tema...
A língua, do que sinto, não é a mesma do que falo…
Calo, palavras que gritam e se atropelam mutuamente, sem nada dizer.
Plena a luz do dia fez minha alma aquecer….

Perdoa-me os dias de mau humor ...
E os dias que não tenho paciencia para te ouvir… ou para te falar…
Como outrora o fiz, como tantas vezes o fiz, mas hoje não consigo,
O coração para o papel, ... apenas tento passar...
Deixar apenas fluir nos olhos o … momento...

Sentindo a tua ausência...apenas sangue, vermelho vivo...
E gritos mudos... cativo ...
Em épocas onde falta o que pula dentro de mim ... é dor
Para poder dormir o sonho dos justos, paisagens com cor...
Os sonhos que banhavam num sopro, que numa frenética desorientação procuram uma saída,
Rasgando-me a pele... sangro... vermelho vivo.
O mostrar… provar o quanto me é importante, uma vida...

No vazio do meu interior,
A poesia inunda-me as veias e os poros, mas nada sai,
As letras não se conjugam, as frases não se formam... sem sentimento ...
Sem calor...
Nunca foi, nem há-de ser... de ventos e cinzas ardentes fundidas na memória do esquecimento.

E na ânsia de te encontrar novamente, explode, expõe-se, aberto...
Esta paixão que me inspira,
Que sustenta minha ira, no auge da minha imaginação!
Liberto...!

E nesse vazio, em que andava só, sem ti, a graça não será concedida...
E ninguém pode afirmar,
Que grande é o medo e grande é o coração... que quer gritar…
para o mundo inteiro ouvir, espalhar ...
Aos quatro ventos,
Os meus desejos, os meus pensamentos…

Mas…
Para quê fugir...
“Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”.