Volto aqui, a este pequeno recanto, para … estranhamente falar do mesmo... de ti.
Dois olhares, velozmente se cruzam … e com vontade não consigo … chorar, ultrapassar… Vi-te, mas não te quis ver;
Tentei olhar para o lado, mas não consegui … por isso… e só por isso fechei os olhos… naquela luta interna entre a desilusão e o medo, aquele segredo que sinto e o achar que não mereces ceder uma única lágrima…
Talvez esteja a imaginar e a idealizar coisas demais, e o tempo volta jamais… a verdade é que não me entendo. Passaram anos, enganos sublimes esqueceram, venceram o cansaço de querer ultrapassar o medo… Lutei contra o meu coração durante dias e dias, como se amar fosse algo que não estava certo para mim… Tentei esquecer o sorriso maravilhoso que me fez ficar cativado, mas apenas consegui pensar nele a cada instante, distante na luta por um futuro…
Afinal nem sei quem és, o que pensas ou sentes. Neste momento és apenas aquilo que eu gostaria que fosses. O medo de saber quem és… mas… és apenas aquilo que eu gostaria que fosses para mim.
Não te vi ou pior … não te quis ver. Não por falta de vontade porque no íntimo morria para poder provar o teu sabor talvez existisse algo mais forte… que eu (forte demais até), que me impediu de te procurar, de te olhar nos olhos e de te dizer: “- Estou aqui, sou teu”.
Ainda estou a deixar de olhar para trás… viste-me. Ao contrário de mim, enfrentaste a realidade e combateste o teu medo: tomaste a iniciativa.
Preso em mim mesmo não consegui dizer nada, apenas olhei para ti, mas não te quis ver… porque sei que se te visse, não saberia o que dizer… como fazer para te fazer sorrir…
Quebrei o silêncio com um simples “olá”… após todos estes anos um “olá”… talvez fosse a pressa… num mundo preso a um relógio… ao tic-tac da torre da igreja… como uma desculpa dolorosa, como de quem não te conhece… como é de facto verdade… nunca te quis conhecer, verdadeiramente, por medo… medo que não significasse nada para ti…
Afogado em mágoa e culpa, tentei encontrar-te em pensamento, mais tarde, mas era tarde demais. Nunca me culpei tanto como me culpo hoje. O que podia ter evitado… O que podia ter resolvido… Mas não o fiz, apenas porque não fui capaz de lutar contra mim mesmo.
Desculpa não ter dito o que devia… desculpa não ter lutado por te merecer.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
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