domingo, 26 de abril de 2009

Sonhar alto...

A minha vida não é só feita de vocábulos bonitos que, ao unirem-se, resultam em belos textos. A minha vida é feita, essencialmente, da realidade. E a realidade tem os seus pontos altos... e os seus pontos baixos.
E sonhar alto demais é imprudência? É imaturidade em alguns casos?
Sempre me disseram que nunca se sonha alto demais... que se acreditasse, havia de ter.

E eu digo: "Mas porque acreditei nisso?" Agora arrancam-me os olhos e pregam-nos à realidade! "Não podes sonhar!". Dizem vozes ocultas laterais, traiçoeiras. E eu não sonho.

Que hei-de dizer... neste caso nem amor cura as feridas. Acentua-as, faz cometer loucuras e enfrentar as mais duras provas... mas no fim, a solidão prevalece. O amor esvai-se, acaba, termina, foge, esgota-se, morre, perece, ponto final... E abandonado estaco, deixado apenas com o sentimento de vazio e um punhado de memórias que não servem para nada, NADA!

Eu já tive sonhos mais altos quando era apenas mais um adolescente, mas hoje, com 20 anos, percebi que para mim não seriam coisas boas, por mais que me questionem sobre o porquê de não investir, porque mudei, porque deixei que a vida passasse sem lhe dirigir palavra. Hoje alcancei algo que, embora seja bom, não equivale nem a um terço daquilo que tanto sonhei na minha fase sonhadora...

Quando escrevo textos que, muitas das vezes, só têm lugar na imaginação, sei que não passam de sonhos e que a realidade é, na grande parte das vezes, menos boa.
Embora sonhe muito, sei o que é a realidade. Por vezes... quem sabe... confesso, custa-me aceitá-la e sinto-me revoltado...

Disseram-me que quanto mais alto se sonha maior é o tombo. Só faltou um pormenor... esqueceram-se de me perguntar se eu tenho medo de cair...
Crio histórias, visualizo uma personagem e dou-lhe o papel principal, consigo distinguir entre a realidade e a ficção. Tenho sonhos. Sonho acordado, sonho com um futuro bom em todos os campos. Sonho e ninguém me pode privar disso. “O sonho comanda a vida”...

E se não tivéssemos sonhos, também não tínhamos ambições. Se não tivéssemos ambições não nos sentiríamos realizados.
É verdade. Quando somos adolescentes, queremos sempre dar passos maiores que a perna - não temos medo de sonhar, e pensamos alto, quase que impossível...
Sonhamos em ser importantes, como os tipos das novelas ou dos filmes ou super-homem, dono de uma super empresa igual à do Belmiro de Azevedo, namorar uma actriz...
Mas quando vamos amadurecendo, percebemos o que está ao nosso alcance e o que não está – e a nossa meta passa, de ser o dono de uma super empresa, a ser... quem sabe, um bom gerente da empresa que me dê uma oportunidade, ou como na situação actual do país... mais um para as estatísticas...

Pois é Sonhador, a vida podia ser um campo de girassóis ou ter o odor a rosa. A vida podia ser perfeita, mas não o é. Já pensei, e já escrevi um texto que vou publicar, se fosse tudo perfeito, daríamos o mesmo valor à vida?
Sonhar é bom. Eu também sonho muito... Divago nas ondas, perco a noção do tempo.
O melhor dos sonhos é que neles te podes reinventar e como tal não há limites. És quem queres não quem já te habituaste a ser. Nos sonhos, consegues o papel da personagem principal e vives aquilo, que na realidade não consegues ou não podes.
Podes ser quem quiseres. Podes ter o que quiseres. Podes ir até onde quiseres... Não há limites apenas o futuro e o horizonte...

sábado, 18 de abril de 2009

Ela chorava e fazia chover

Lá fora chovia. Ouviste chover. Estava escuro e estavas sozinha no quarto, não vias nada. Será que vais ser sempre assim? Naquele dia ali deitada... eras uma mulher feliz... Ou pelo menos pensavas ser... porque tinhas tudo o que uma mulher desejava...

Será que isso foi real? Ou apenas uma ilusão? Só tu saberias responder...
Talvez, mas querias mais, como magia fazer flutuar, deixar os problemas e sonhar... querias ser como o vento... o vento que sopra nos cabelos, a flutuar no ar, com liberdade e beleza... sonhar sozinha, e sentir o carinho do mundo, como o vento... vento, que contorna o corpo sem ferir, sem sentir...

Mas como vejo, foste embora e o vento acabou, nada mais ficou que a brisa para soprar toda tristeza e mágoa no rosto... a brisa que fica em movimento, ela que tira as mágoas e faz sonhar, longe, onde o vento não vai...
Querias ser o vento para poder tocar, para poder sentir, sem magoar ou agredir...

Mas foste embora sem saber como é sonhar um sonho verdadeiro. Avançaste sem saber o que é voar em delírio. Foste... sozinha...
Tencionavas deixar a marca da passagem intencional... de carinho que não percebeste que estava em ti... que o vento não deixa, que o vento não faz... sem dor, sem sentimento, sem cor...

Fecha os olhos e vê o vento... ele não chora a tua falta... quem chora és tu porque o vento parou. Seguiste em frente e deixaste tudo para trás... mesmo TUDO...

Uma tristeza sem fim, dentro... o coração batia como um relógio num sentimento de calafrio... dentro do ser, esta dor, tão forte...
A mente que desapareceu no infinito... vazio dentro do corpo, não sei explicar...

Quem teria inventado a lua? Porque é que me fascina tanto? E de repente percebi que não eras tu. Não podias, como era possível? Era apenas ela. Chorava... chorava muito…
Porquê não sei. Mas chorava. E por isso chovia. E depois, em vez de me ver, vi-te a ti. Eras tu! Lá no alto, por entre as estrelas, choravas e fazias chover.



Querias voar, voar, voar... querias sentir, sentir... queria apanhar, essa liberdade de viver e ser livre no tempo para te soltar, libertares-te das amarras da vida e... ser livre de voar pelo mundo...
Ai, como eu queria ser assim... poder dar fim a esta dor que queima...
Mas não esperaste. Soltaste a imaginação e perdeste-te nas correntes do vento...
Fizeste marcas que não doem mas que ficam para sempre...

Estava longe… e tu choravas. E o único som que se ouvia era o barulho da chuva.

Lembro-me ainda mais de ti. Porquê? Será que vai ser sempre assim?
As forças estão a acabar, não consigo lutar mais por uma pessoa que me magoou... Por uma pessoa que não sabe o que é amar.

Afinal continuavas de pés bem assentes na terra, continuavas deitada e vias chover da janela do teu quarto escuro, frio e incrivelmente vazio sem mim. E choravas, ao ritmo da chuva...

Mas por ti, até o vento vai parar de soprar. Aí e só aí tu voltas, e esqueces. Das alegrias, das risadas, do carinho que o vento te fez.

Adormeceste a chorar e a ouvir a chuva, que era afinal o choro da lua, que eras tu. Choravas e fazias chover e tudo porque estava longe. E embrenhada na escuridão do teu sono sonhaste comigo, sonhaste que estava contigo...

E assim nesse sono estava perto, sempre perto de ti... como o vento...