
Queria vê-la, mesmo senti-la…mas…
Um dia adormeci … adormeci para a vida que passava diante dos olhos, distante, sem querer ser tocada. Uma ilusão vivida sem perceber que o tempo passava.
A distância parecia a melhor aliada, sossegada, calada, … sem sentimentos. Passei anos nesta vida, irreal ilusória, matreira…
As pessoas passavam e não as via, falavam e não ouvia, amavam e eu não sentia…
Sentia-me bem, na solidão, na sala ao fundo, no canto do mundo, pensamento profundo, imaginário musical que iludia. O lápis e o papel, a minha melhor companhia, dançavam ao som da melodia…
Pensava que a vida era bela até ao dia 17, vésperas de Natal de 2005… em que o sonho saiu pesadelo… sombra escura, verdade pura, que pairava no ar, sentimento triste, sim existe, remorsos vermelho-amargos … então acordei, … desejei nunca o ter feito, deitado no leito de um sonho real…
Um isolamento mais frequente, enganos da mente, na realidade doente de gotas de água salgada…
Senti necessidade de acabar com a verdade, mudar a realidade, tal qual vivia no sonho… mas o tempo não volta atrás…

As pessoas passavam e eu via-as, as pessoas falavam e comecei a ouvi-las, eu amava…mas … a vida segue numa linha recta que nunca se cruza consigo mesmo… ninguém espera eternamente… então quis adormecer, mas os olhos não fecharam … apenas choraram, silenciosamente… sem que ninguém pudesse ver…
Só havia um caminho … comecei por seguir sozinho. Um caminho movimentado, aos poucos passei a ser acompanhado, um acaso de promessa, feita mesmo à pressa... companhia de amizade que me deu sentido à realidade.
A realidade pode ser um sonho, depende daquilo que fazemos dela, pode ser bela … se lhe sorrires, ela sorri-te se volta, se a esqueceres, … ela não se esquece de ti, apenas te mostra que necessitas dela para ser feliz…



0 comentários:
Enviar um comentário