Já não dói mais
como doía...
Aí um dia voltas a
fazer aquilo, que sentias saudades, de coisa simples e banais.
… Um chocolate quente…
… Um dia de praia ao
acaso…
… Uma mensagem
inesperada…
O chocolate já não tem
o mesmo sabor… nem a praia o mesmo cheiro. Talvez a conversa inesperada já não
exista. Ninguém sabe de ninguém. A vida é mesmo assim. Conversas ficam perdidas
pelo tempo, pela sua inexistência. São opções… talvez tuas… talvez minhas…
talvez da vida.
Não dói mais como
doía e há um lado muito triste nisso. Talvez... que bom... que pena!
Ando com os dedos meio
surdos que apagam mais dos que escrevem. Talvez seja uma fase de silêncio. Boicote
a mim mesmo. Sim eu deveria dedicar-me a mim mesmo em exclusividade. Não gostas…
Não olhes. Segue o teu caminho.
Ainda assim, meu
coração permanece perdido, num buraco cheio preenchido de um vazio ensurdecedor
dos seus próprios objectivos, desejos e sonhos.
As vielas
ingremes, desprovidas de lembranças… preconizam entre esquinas, memorias vazias
de cores. Já não tem o mesmo
sabor que eu recordava.
Ainda sinto dores na
alma que se manifestam de um jeito estranho. Mas ficou só para mim. Esses anos
que se passaram foram difíceis, e creio por isso, no silêncio...
Mas só agora ficou
claro.
Uma parte de mim
está dando lugar a melancolia, do que ficou para trás…
Ciclos encerraram-se na
minha vida, e eu nem sabia que isso estava a acontecer.
Já chorei, eu sofri, e eu
não entendi, mas mesmo assim, eu seguia em frente. O passado ainda existe
dentro de mim, se não como uma lembrança do que vivi.
Sofro de indignação.
… de quando me perdi de
mim,
… de me ter dado
demais,
… de me ter me
envolvido em algo que não era para mim, que não tinha a ver de facto com a
minha identidade, ao contrário, por ter me perdido dela.
… por ter assumido historias
e destinos que não me cabiam, papéis que não eram meus.
… por que muita coisa
que eu aceitava sobre mim, quanto a firmeza do meu EU, a nitidez do quanto eu
quero da vida… e tudo isso… não era tão sólido assim!!!
Por isso, chorei por
mim...
Lamentei por mim...
As vezes o silêncio é
palavra...
Não vou falo mais comigo.
Será como um ritual de passagem, para ocultar a dor, porque mudar sempre dói,
crescer dói… não ter com quem crescer dói ainda mais… e isso, deixa marcas.
Há muito tempo que não
escrevia.
A minha memória
se apaga para que eu possa ser eu e não carregue essa sensação…
Das conversas
perdidas
Os toques das
recordações
Os encontros fotográficos
Esperanças e
sonhos desvanecidos
Apagando os
cheiros e os frios na barriga.
Mas é triste, porque
esta memória protectora, quando apaga suas cores aqui dentro… apaga uma parte
de mim. Não lembrava mais as cores. As cores tiveram que ser reparadas... e
foram!!!
A cada dia tudo vai
ficando distante...
Aos poucos uma
parte de mim vai dando lugar a melancolia.
E agora? A vida é a
arte de seguir em frente, e devagar, no tempo que o meu peito conseguir.
Vou mastigar o que
tiver de engolir, e digerir as palavras e acções. Depois desta indigestão, o meu
sorriso voltará a surgir, mesmo que triste e a manifestações de vida serão
naturais.
Porém isso não existe na
palavra “sacrifício”.
Isso muda tudo!