sexta-feira, 25 de maio de 2018

Por trás de um sorriso

""É sexta-feira… é tarde e eu tenho saudades do meu sorriso.

As ideologias e incompreensões sociais, banais, mais ou menos compostas deram lugar a ignorantes etiquetas, mais ou menos intrincadas.

E mais uma vez sendo comum, digo que sentimentos delicados são como cristais.
Simples…um sorriso para calar um grito…

É só sorrir e pronto, está tudo bem. Por dentro a dor consume mas ninguém precisa saber, então é só sorrir...

Sempre consegui esconder meus sentimentos através do sorriso, sabes? 
Certamente saberás!

Há quem pondere que eu não possua sentimentos… que não seja capaz de sentir. Talvez seja mentiroso quando sinto, ou demonstro o que sinto.

Quererá minha pessoa saber? Maior dor não há, que a de um sorriso impostor, sem cor, trapaceiro dizendo NÃO, desejando dizer SIM! Um sorriso enganador dizendo para IR apetecendo dizer FICA. É preciso notar mais os detalhes.

E é preciso deixar ir… e mundo é tão vasto. Tão grande e maior que a vida!

Olha a flor que ficou por entregar, por te dar… que aos poucos … e por tristeza perdeu a cor, quando as pétalas enrugadas caiam lentamente, uma atras de outra, num dia de chuva… lentamente secando para o mundo.

E, por isso unicamente e determinado, não tenho medo de deixar o vaso sobre a mesa. E quando eu olho os fragmentos, os cacos camuflados no que escrevo num simples rabisco, numa folha de papel rasgada, que não têm significado e nada valem … pois este sou eu.

E a vida também!""


..."No sorriso do tímido se encontra o lugar mais seguro e perfeito para se esconder a dor."... 
Ricardo Fischer

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A vida é curta...

O mundo é muito vasto. Tão grande e maior que a vida.
A vida é curta… demais…

Digamos que somos apenas um acaso aqui só de passagem.
As vezes um oi,
…um abraço,
…um carinho,
…um olhar,
…um sorriso

… ou …

..um bom dia podem fazer uma diferença gigante la na frente

A vida sem graça, sem cores, sem razão ou amores…é uma vida sem felicidade. E ela é simples e só necessita de um sorriso... de um gesto... um olhar...

É preciso notar mais os detalhes, viver de verdade do momento.
Parar de viver no automático.

Olha para ti! Estás a desperdiçar a tua vida, aí deitado na areia o dia todo.
Resistir até resisto, mas face ao desconhecimento e ausência de pensamento crítico que reina por aí … Desisto!

As representações e construções sociais mais ou menos elaboradas deram lugar a cultos e rituais, mais ou menos complexos. Á ideia de que esses determinados momentos como que regressassem aos lugares onde tinham vivido ou, mesmo, que quem nem sequer se chega a outra grandeza.

E a vida é curta…

Mas teimosia a minha, querendo tirar as duvidas das minhas desconfianças.

Em paz vou,
O mundo espera por mim,
E a vida também!



domingo, 7 de janeiro de 2018

Quando o silencio fala

Já não dói mais como doía...

Aí um dia voltas a fazer aquilo, que sentias saudades, de coisa simples e banais.

… Um chocolate quente…
… Um dia de praia ao acaso…
… Uma mensagem inesperada…

O chocolate já não tem o mesmo sabor… nem a praia o mesmo cheiro. Talvez a conversa inesperada já não exista. Ninguém sabe de ninguém. A vida é mesmo assim. Conversas ficam perdidas pelo tempo, pela sua inexistência. São opções… talvez tuas… talvez minhas… talvez da vida.

Não dói mais como doía e há um lado muito triste nisso. Talvez... que bom... que pena!

Ando com os dedos meio surdos que apagam mais dos que escrevem. Talvez seja uma fase de silêncio. Boicote a mim mesmo. Sim eu deveria dedicar-me a mim mesmo em exclusividade. Não gostas… Não olhes. Segue o teu caminho.  

Ainda assim, meu coração permanece perdido, num buraco cheio preenchido de um vazio ensurdecedor dos seus próprios objectivos, desejos e sonhos.
As vielas ingremes, desprovidas de lembranças… preconizam entre esquinas, memorias vazias de cores. Já não tem o mesmo sabor que eu recordava.

Ainda sinto dores na alma que se manifestam de um jeito estranho. Mas ficou só para mim. Esses anos que se passaram foram difíceis, e creio por isso, no silêncio...
Mas só agora ficou claro.

Uma parte de mim está dando lugar a melancolia, do que ficou para trás…

Ciclos encerraram-se na minha vida, e eu nem sabia que isso estava a acontecer.
Já chorei, eu sofri, e eu não entendi, mas mesmo assim, eu seguia em frente. O passado ainda existe dentro de mim, se não como uma lembrança do que vivi. 

Sofro de indignação.
… de quando me perdi de mim,
… de me ter dado demais,
… de me ter me envolvido em algo que não era para mim, que não tinha a ver de facto com a minha identidade, ao contrário, por ter me perdido dela.
… por ter assumido historias e destinos que não me cabiam, papéis que não eram meus.
… por que muita coisa que eu aceitava sobre mim, quanto a firmeza do meu EU, a nitidez do quanto eu quero da vida… e tudo isso… não era tão sólido assim!!!

Por isso, chorei por mim...
Lamentei por mim...

As vezes o silêncio é palavra...
Não vou falo mais comigo. Será como um ritual de passagem, para ocultar a dor, porque mudar sempre dói, crescer dói… não ter com quem crescer dói ainda mais… e isso, deixa marcas.

Há muito tempo que não escrevia.
A minha memória se apaga para que eu possa ser eu e não carregue essa sensação…

Das conversas perdidas
Os toques das recordações
Os encontros fotográficos
Esperanças e sonhos desvanecidos
Apagando os cheiros e os frios na barriga.

Mas é triste, porque esta memória protectora, quando apaga suas cores aqui dentro… apaga uma parte de mim. Não lembrava mais as cores. As cores tiveram que ser reparadas... e foram!!!
A cada dia tudo vai ficando distante...
Aos poucos uma parte de mim vai dando lugar a melancolia.


E agora? A vida é a arte de seguir em frente, e devagar, no tempo que o meu peito conseguir.
Vou mastigar o que tiver de engolir, e digerir as palavras e acções. Depois desta indigestão, o meu sorriso voltará a surgir, mesmo que triste e a manifestações de vida serão naturais.

Porém isso não existe na palavra “sacrifício”.

Isso muda tudo!