Talvez eu repouse ou talvez eu ouse nesta hora de ansiedade.
Talvez dê tréguas ao sono e me deixe levar pela neblina vespertina.
Deixarei eu que morra em mim o desejo de amar os teus olhos?
Se assim fosse, que loucos seriam os meus pensamentos, se a aurora do
teu olhar não fosse verdadeira!
Gotículas verbalizam lembranças de águas passadas que se acumulam na realidade
dos lábios. Sorrisos doloridos da saudade de quem ama! É o preço que pago por querer
viver momentos inesquecíveis. Simples, mas fortes.
E sento-me mais uma vez nesta praia da solidão, em vão ficarei e
flutuarei. E sou um veleiro que navega, ligeiro ao sabor do vento, banhado
pelas trépidas águas da imensidão, sereno e abandonado, procurando chegar à
linha do horizonte.
E para onde vou? Um dia quis saber, agora, só sei que vou, e se o meu
percurso for traçado como o mar, então irei, serei tão livre de mim, tão livre
como ele, como tu… da saudade. E parto deixando uma parte de mim, carregando
uma outra de ti…
E vou, enquanto pairo sobre o sonho. Saberás tu quem fui eu, quem te
acolheu e sentiu e ouviu a tua fala amorosa? E um dia torna-se uma semana, uma
semana… um mês, um mês… um ano, um ano… uma eternidade.
“Tomara o fim da ausência!” - Rebeldemente rogo mais uma vez à
paciência.
Que as palavras que eu falo, não me deixem lembrar que um dia te quis
esquecer.
Porque metade de mim é o que ouço… a outra metade é o que calo...
É o basicamente não saber, nossa alma dizer para onde quer voltar….


