quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pérolas perdidas


Mudei e disco, mudei tudo o que tinha guardado, armazenado ao longo de alguns anos! Pode parecer metáfora… mas não é! Mudei de disco literalmente. E, nas minha arrumações informáticas encontrei algo que já não via…faz quase 10 anos..

Escrevo por aqui, neste canto perdido porque sei que ninguem se vai dar ao trabalho de ler


Pequenos verso que soltei nas páginas de um pequeno caderno de argolas que escrevi, que risquei, que rasguei. Pedaços que deitei ao lixo no dia me que o meu irmão partiu de vez. Tanto que deitei fora de mim nesses dias… e este foi só mais um. Mas, contra todas as hipóteses uma parte escapou, talvez conscientemente, talvez não.  
Escondido numa pasta, atrás de pasta, atrás de pasta, sem nome, sem referência, sem acesso. Um dia fechei estas palavras com a palavra que mais me custava dizer, para que ninguém o conseguisse ler, nem eu. Qual seria a palavra-chave deste mistério! Nem, sei! Mas ao fim da segunda tentativa, lembrei-me.
Sabes! Às vezes à noite o silêncio seduz-me… suspensa a confusão da luz!
Na solidão revoltava-me em tristezas… e sonhos. Criava sonhos impossíveis de alcançar, em que entrava quem queria e que não podia voltar a entrar na realidade. Tenacidade do meu sonho, querer que o sonho fosse meu…

As recordações que nos passam pelos olhos e nos deixam confusos, revoltados, de consciência pesada por não termos feito aquilo que podíamos, mas deixamos por fazer, e o passado não volta atrás.

No entanto perdemos aquela coragem que nos vêem nos olhos que é substituída por tristeza e incerteza que nos deixa fracos para continuar. E a nossa mente torna-se vulnerável, não aos olhos dos outros, mas no nosso distanciamento da realidade.
Jamais me acostumei aos obstáculos com espinhos que surgiam perante a escuridão! Às vezes sonho demais.
De tudo o que existe neste mundo nunca pedi nada na vida. Só pedia para ser feliz. Apenas uma oportunidade para ser feliz. Sempre foi o meu desejo.

Que quis eu um dia:

“Eu só queria
Ter uma coisa só minha,
Uma coisa única
Que mais ninguém tinha.

Eu só queria
Ter um grande futuro
Cheio de alegria
Vedada por um muro.

Eu só queria
Ter certezas na vida
Tão triste e singela,
E pouco divertida.

Eu só queria
Ter uma vida sossegada
Com coisas belas
Como uma história encantada.

Eu só queria
Não ter a vida que tenho,
Mas não passaria
Apenas de um desenho.

Eu só queria
Viver numa dimensão paralela
Tão irreal
Como um quadro de aguarela.

Eu só queria
Viver num sonho
Onde viveria
Eternamente risonho.

Eu só queria
Poder desaparecer,
Tornar-me invisível,
Mas transparente, ninguém pode ser”

Dicaf – 2004

Como dizia o “amigo” de Fernando Pessoa

"Não sou nada.
 Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Álvaro de campos


“Perdi-me...

Perdi-me em pensamentos,
Histórias e ilusões,
Fazendo julgamentos,
Largando punições.
           
Perdi-me em sonhos
Terríveis e medonhos,
Terrivelmente incríveis
Sem poderem ser visíveis.

Perdi-me numa selva escura,
Que para sempre perdura,
Escondida no nada;
Numa história inacabada.

Perdi-me num labirinto,
Pequeno e faminto;
De fazer perder
E as pessoas desaparecer.

Perdi-me no meio da multidão
Sem rumo para seguir,
Causando confusão
Sem me decidir.

Perdi-me de mim
Triste e abandonado
Sozinho assim,
Como um velho acabado.

Perdi-me entre estrelas e cometas
Ao o sol observar;
Sonhos de poetas
Desvanecidos no ar.”

Dicaf - 2004








domingo, 20 de julho de 2014

Carta a um dia que foi…


Um dia, “meio” alcoolizado falei mais do que queria… deixei de conseguir conter... 

Contei o que enterrei à beira mar!!!!
Sim, um dia enterrei o que sentia à beira-mar!
E dá para enterrar um sentimento à beira-mar?

Metade dos meus erros nasceram do facto de sentir quando devia pensar e de pensar quando devia sentir.

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Deixa-me voltar alguns anos atrás e reescrever:
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Não sei o que aconteceu de diferente naquele dia, já não me recordo, o que me fez pensar de forma diferente! Sei lá! Só sei que estava farto, cansado, frustrado. 
Cansei-me de sentir… sem to poder mostrar. 
Não tinha mais vontade de falar sobre os meus sentimentos.
Abandonei tudo para trás, tudo que me fazia lembrar o que não queria… o que me deixava pensativo, nostálgico.

Saí do local de trabalho à hora do costume mas o caminho não foi o mesmo. Segui em direcção oposta. O mar era meu. Naquele dia era meu…
Já ninguém pisava a areia amarela. Mais um dia de trabalho para esquecer. Tudo corria ao contrário…

Que pensei eu? Que ideia surreal me passou pela mente naquele dia…
Descalcei-me, lentamente, sem pressas, num dia em que nada se passava no cair da tarde… quando a noite se aproxima.
Sem vivalma em redor senti a areia na base dos pés, o som das ondas ao longe, e caminhei na sua direcção. 

Vou até ao indefinido.
Paro, tantas vezes para … pensar.
Já são tantos os silêncios que se ouvem nesta hora!
Cansei-me...
Não tenho mais vontade!

Sentia o vai e vem da água nos meus pés.
A gélida água do fim da tarde, quando o mar acalma, quando se cansa de tanto ir e vir.

Senti correr pela face, salgado, mais do que as ondas do mar... cada pedaço da minha alma que sofria, no ar pesado que me cercava.
No lugar mais recôndito do meu ser, deixei de dormir há muito.
Tudo me perturbava, tudo me preocupava, tudo me fazia sentir tudo… menos eu, quem eu era, quem eu fui. 

Não queria ter aqueles sentimentos de amor, mesmo de amizade, que me atormentavam á tanto tempo. Sempre acompanhado de tristeza, dúvidas, incertezas.
Desilusão de mim mesmo!
Estava perdido, como se o mundo me tivesse virado as costas, esquecido, ignorado. “Porquê eu? Porque merecia eu viver? Para isto?”
Parei por momentos e fechei os olhos.
Pensei seguir em frente dar mais dois passos em frente!
E parei, não segui…
Recuei por momentos, dois passos de hesitação. 

Voltei à areia enxuta e sentei-me simplesmente a olhar.
Às vezes preocupamo-nos com tanto, que nos esquecemos que existem tantas outras coisas maravilhosas na nossa vida…
Peguei no meu caderno amarelo queimado, onde versava, onde poetizava o que ecoava na minha cabeça, todos os dias, quando queria, quando sentia necessidade!
Empunhei a caneta dourada que sempre me acompanhava.
E escrevi…

Ah! E são tantas as palavras, as promessas…
Falei sobre os meus sentimentos…
Perpetuando no meu coração a palavra Viver, ou não…
Despedi-me … dos sorrisos tristes e escondidos.
Lutava contra algo que me fazia ficar menos feliz.
Tentava fechar a porta a sete chaves definitivamente e esperava mesmo conseguir fazê-lo...
Queria afastar de algo ou pelo menos conseguir seguir em frente.

E escrevi tudo…
Os meus medos,
Os meus pesadelos,
Os meus sonhos,
Os meus sentimentos,
Os meus pensamentos,
As minhas ilusões
E… o meu amor!
No fim uma despedida… de tudo… ainda me custa lembrar deste ultimo!
Não sei quantos páginas foram… umas quantas, perdi a conta!
Não sei o que me levou a escrever tanto naquele dia, naquela tarde que se fez noite!

O que é afinal o amor? Pode fortalecer ou enfraquecer, expandir ou encolher, enriquecer ou empobrecer. Quando é correspondido, nós florescemos. Somos levados a alturas jamais vistas, onde ele nos delicia, revigora e embeleza. Quando é tolhido, sentimo-no aleijados, desconsolados e deprimidos.

Olhei para a frente e nada vi… Apenas conseguia ouvir as ondas do mar… que pareciam musica… que pareciam dizer: “tem paciência”…

Então, lentamente, caminhei em direcção àgua…
Parei por um momento…
Cavei um pequeno buraco entre mim e as ondas… prendi a caneta dourada ao caderno amarelo queimado… e soltei-o. Libertei-me daquelas palavras! Dos loucos pensamentos que escrevi. Pousei-o lentamente naquele pequeno espaço e tapei com a fina areia. E foi a ultima vez que o vi… os meus poemas, os meus assentos e os meus pensamentos…

Limpei a face gotejante.
ENTERREI MEUS SENTIMENTOS, num pequeno caderno e não pensei mais. Não voltei atrás! E fui embora… entrei no carro e não olhei para trás. Naquele dia já não sabia quem eu era! E isto doeu muito! 

Tomei uma decisão por mim. Fechar-me totalmente para as emoções!

Por fora era o mesmo, mas por dentro seria? 
Deixei de me preocupar tanto. As pessoas deixaram de ver tantos sorrisos, que fossem verdadeiramente meus. Passei a ser racional e menos emocional. Queria lá saber!
Fixei-me no trabalho! Um modo deprimente de viver. Mas pelo menos não tinha de sentir. Fazia apenas o que tinha de ser feito! Não precisava de sentir o que fazia.

Há quem possa pensar… “ Foi um caderno”. Mas naquele dia ficou ali mais do que um caderno, ficou uma parte de mim. Talvez á espera que alguém, um dia a trouxesse de volta!
Desde então vivi apenas por viver…

 Agradeço a todas as pessoas que não me deixaram cair e perder-me de mim…que me apoiaram, que me ajudaram a ver as coisas de outras forma, sem nunca se terem apercebido, sem notarem que passaram a ser uma peça importante neste puzzle que é a minha vida.

Graças a eles ... hoje sou a pessoa que vês, e tenho orgulho nisso!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Sonhos ....

Há amigos (desconhecidos) que nos fazem dedilhar pensamentos Obrigada DICAF

"Há sonhos tão reais, que por si só não precisam de uma realidade.
Não precisam de sair da nossa mente e se tornarem em algo que por muito perfeito que seja não será tão bom como a realidade do sonho que tivemos!
Que Sentimos!
Que Desejamos!
Por isso há sonhos que apenas devem ser vividos na fantasia da nossa mente, porque aí serão perfeitos!
A nossa mente... o único lugar onde é possível existir a perfeição"

RB

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Um talvez....


E se eu te disser que já não sei se sei …
Ahhhh …. eu queria escrever-te uma carta...
Que desanimo! Também já não sei se consigo escrever!


Nem sei na realidade onde começou!
Um dia, todo aquele sentimento… um dia, enterrei-o bem fundo!
Nem as gotas do olhar ...?


Senti-te longe. Dois, é bom, três são demais!
Caminhámos por trilhos diferentes!
Então, adormeci num sono profundo tudo o que sentia e fiz por esquecer.

Mas regressavas ao meu pensamento, de tempos, a tempos!
Agarrado à lembrança de um passado, sentia-te por segundos. 
E o vento que passava murmurava palavras que soavam a musica, musica que soava a pensamentos, pensamentos que … eu não sabia compreender!

“Talvez tudo  tenha sido um sonho”, pensava eu.

Quanto tempo passou, quanto tempo dormi… 
Perdi a noção do tempo há muito…

Mas… voltaste, quando te adivinhava distante, e o teu silêncio despertou os meus receios mais profundos!
Um dia pensei um dia desistir. 
O que mudaria se eu dissesse que não desisti por ti? 


Em vez disso, disse que ainda estou aqui! Por ti, para ti!
Mesmo sem saber o que sentes!

Quero ser racional.
Tenho medo de fazer as perguntas certas, ou que sejam as erradas!
Se eu dissesse o que realmente sinto, mudaria a forma como me vês? Afastar-te-ias?

E se eu nada disser?
Talvez assim seja melhor... 

Talvez já to tenha dito sem notar... 
Talvez já me tenhas lido sem eu me escrever...

sábado, 12 de julho de 2014

Copy- Paste

"" Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.""

Caio Fernando Abreu