Mudei e disco, mudei tudo o que tinha guardado, armazenado ao longo de
alguns anos! Pode parecer metáfora… mas não é! Mudei de disco literalmente. E,
nas minha arrumações informáticas encontrei algo que já não via…faz quase 10
anos..
Escrevo por aqui, neste canto perdido porque sei que ninguem se vai dar ao trabalho de ler
Pequenos verso que soltei nas páginas de um pequeno caderno de argolas
que escrevi, que risquei, que rasguei. Pedaços que deitei ao lixo no dia me que
o meu irmão partiu de vez. Tanto que deitei fora de mim nesses dias… e este foi
só mais um. Mas, contra todas as hipóteses uma parte escapou, talvez
conscientemente, talvez não.
Escondido numa pasta, atrás de pasta, atrás de pasta, sem nome, sem
referência, sem acesso. Um dia fechei estas palavras com a palavra que mais me
custava dizer, para que ninguém o conseguisse ler, nem eu. Qual seria a
palavra-chave deste mistério! Nem, sei! Mas ao fim da segunda tentativa,
lembrei-me.
Sabes! Às vezes à noite o silêncio seduz-me… suspensa a confusão da
luz!
Na solidão revoltava-me em tristezas… e sonhos. Criava sonhos
impossíveis de alcançar, em que entrava quem queria e que não podia voltar a
entrar na realidade. Tenacidade do meu sonho, querer que o sonho fosse meu…
As recordações que nos passam pelos olhos e nos deixam confusos,
revoltados, de consciência pesada por não termos feito aquilo que podíamos, mas
deixamos por fazer, e o passado não volta atrás.
No entanto perdemos aquela coragem que nos vêem nos olhos que é
substituída por tristeza e incerteza que nos deixa fracos para continuar. E a
nossa mente torna-se vulnerável, não aos olhos dos outros, mas no nosso
distanciamento da realidade.
Jamais me acostumei aos obstáculos com espinhos que surgiam perante a
escuridão! Às vezes sonho demais.
De tudo o que existe neste mundo nunca pedi nada na vida. Só pedia para
ser feliz. Apenas uma oportunidade para ser feliz. Sempre foi o meu desejo.
Que quis eu um dia:
“Eu só queria
Ter uma coisa só minha,
Uma coisa única
Que mais ninguém tinha.
Eu só queria
Ter um grande futuro
Cheio de alegria
Vedada por um muro.
Eu só queria
Ter certezas na vida
Tão triste e singela,
E pouco divertida.
Eu só queria
Ter uma vida sossegada
Com coisas belas
Como uma história encantada.
Eu só queria
Não ter a vida que tenho,
Mas não passaria
Apenas de um desenho.
Eu só queria
Viver numa dimensão paralela
Tão irreal
Como um quadro de aguarela.
Eu só queria
Viver num sonho
Onde viveria
Eternamente risonho.
Eu só queria
Poder desaparecer,
Tornar-me invisível,
Mas transparente, ninguém pode ser”
Dicaf – 2004
Como dizia o “amigo” de Fernando Pessoa
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
Álvaro
de campos
“Perdi-me...
Perdi-me
em pensamentos,
Histórias
e ilusões,
Fazendo
julgamentos,
Largando
punições.
Perdi-me
em sonhos
Terríveis
e medonhos,
Terrivelmente
incríveis
Sem
poderem ser visíveis.
Perdi-me
numa selva escura,
Que
para sempre perdura,
Escondida
no nada;
Numa
história inacabada.
Perdi-me
num labirinto,
Pequeno
e faminto;
De
fazer perder
E
as pessoas desaparecer.
Perdi-me
no meio da multidão
Sem
rumo para seguir,
Causando
confusão
Sem
me decidir.
Perdi-me
de mim
Triste
e abandonado
Sozinho
assim,
Como
um velho acabado.
Perdi-me
entre estrelas e cometas
Ao
o sol observar;
Sonhos
de poetas
Desvanecidos
no ar.”
Dicaf - 2004


