Pois bem. Há muito tempo que não desenhava com vontade. Andava cansado, psicologicamente, abatido e sem motivação para nada.
Mas Hoje não. peguei numa folha de rascunho, literalmente, e soltei o lapis, ainda muito enferrujado, un cinza carregado ou um cinza pálido. Pequenos traços soltos e com vontade, a liberdade na ponta de um lápis.
Rabiscos bem arcaicos, alheios ao que os outros pensam. Quero lá saber... eu queria lá estar. Mas não posso. E assim alheio-me numa folha demasiado branca. Com falta de cor e contraste. Longos traços escuros fogem na linhagem geral, mas ninguem leva a mal, porque ninguem os vai ver, ninguem quer saber.
E saiu isto.
Eu queria lá estar, encontrar assim um lugar calmo, mas não tão vazio. Sentio-o cá dentro. Um banco de jardim abandonado, uma flor solitária. Porque estará assim tão acabado, o momento, cá dentro. A ausencia de gente, questões de quem não sente, companhia. Seria ... apenas mais um desabafo, mais uma ausencia, mais um solidão. Só que não a guardei para mim. Libertei-a na margem de um rio, na esperança que as águas corridias as levem para longe... para longe do meu pensamento....



