quarta-feira, 15 de junho de 2011

Quero dormir...

Faço-me à estrada… naquele percurso para o qual já não fito… a direcção que já conheço…

É sempre o mesmo, indiferente, naquelas noites que correm lentamente no suspiro da corrente de ar da janela entreaberta, o rádio ligado na estação do costume, como um lume que arde sempre da mesma forma… mas não conforma a alma, nem acalma o luar…

Guiar pelos caminhos descerrados na neblina e escuridão… regresso à rotina, como se após a esquina, tudo voltasse ao que era… ou não era…

Depois à chegada… sensibilidade tão apagada de ser ou não ser… vou esquecer que acabou… e a próxima jornada quase encetou… e desprezo…. Ou pelo menos tento….

Mas agora sim … quero dormir!
Quero dormir, mas as linha misteriosas do olhar não consentem,
As horas passam impiedosamente,
Agitando-me lentamente nos ponteiros do relógio…
Martirizando-me

Quero dormir!

Dormir então mais um pouco neste sonho
Quero viver!
No percurso do ser... deslizando...
Sussurrando baixinho
Sim,
Quero dormir!

Um sussurro dos teus, que sorri...
na chuva que cai de mansinho
No presente... No passado…
Memórias de um tempo…

Cansado dos passos de alguém no atalho…

O murmúrio do pensamento a minha alma vagueia
Na suavidade do vento…
Alheio, lamento.

Preciso dormir… Por de uma vida.

A paz aconchegante do teu dormir que me traz ao consciente.
A minha mente é invadida por loucos sonhos como um amargo incompreendido…

Ao repousar a minha mente, sinto o cheiro do amanhecer…

E tento adormecer…
Tal como agora, cansar emoções de mil passos…

Deixa-me então em silêncio…

Quero dormir!